domingo, 20 de fevereiro de 2011

Saudade é saudade mesmo...

O vinte de fevereiro é uma data que vou lembrar para sempre, não há como esquecer: Paulo Peres, meu saudoso padrinho, tio, colega e amigo, há seis anos partia para sua viagem derradeira.

Poucas pessoas se tornaram tão míticas, ainda em vida, pelas histórias que me eram contadas. São tantas, nem sempre elogiosas, qaue se tornaram mitos de verdades inesquecíveis.

Entre minhas irmãs, havia a branca inveja do padrinho mais "presentoso". Embora muitas vezes distante, eu era o afilhado mais agraciado pelos arroubos de meu padrinho, principalmente quando este destilava sua megalomania incomparável. Nessas, ganhei diversos presentes. Dentre eles, sempre lembro de meu primeiro relógio, de um piston de brinquedo (diz minha mãe que a cara que fiz na hora não foi lá grande coisa) e um fusquinha bate-volta dos bombeiros, vermelho.

Isso sem falar nas incontáveis vezes que, ao nos visitar, deixava à saída em minha mão alguns trocados que igualmente variavam conforme suas oscilações de humor!

Por igual, o curso de inglês em 1986, que me permitiu frequentar o Instituto Cultural, algo proibitivo para nossa condição financeira da época - aliado a uma mesada de quase um salário-mínimo, uma fortuna para quem nunca tinha tido seu próprio dinheiro.

São pequenas histórias de uma infância-adolescência dentre tantas outras. O que seria apenas um tio, se tornou padrinho, se tornou colega mas acima de tudo e sempre: amigo.

Foi o padrinho que todos gostariam de ter, e eu tive. Os momentos em que ele esteve ausente, por questões suas, só temperavam a saudade. Assim como essa que bate agora, incomparável e interminável. E só mesmo um outro Peres poderia não-definir a saudade, também saudoso entre nós: "quem define saudade, fala a esmo. Saudade não se define: saudade é saudade mesmo" (Glênio Peres).

Mas a certas pessoas só temos a agradecer por ter existido! E hoje falei de duas delas!

Um comentário:

blog da Paraguassu disse...

Olá Rodrigo,
Paulo Peres foi, na realidade, o irmão mais velho que tive e que nunca esquecerei. Tinha um jeito peculiar de ser. Sorria quando estava bem, e ficava sisudo, quando as coisas iam mal. Lembro sempre dele nesta data, lamentando sua ida tão prematura e tão repentina. (Maria).

Hoje é mais um dia a lamentar a falta de um irmão a quem amava muito. Tenho certeza que, de onde eles se encontram (Paulo e Glênio),
estão a olhar-nos, também sentindo saudades. (Tasso)

Beijos e abraços a todos.

Pesquisar este blog