segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O imponderável

O imponderável aconteceu. O fim de semana futebolístico definiu a sorte dos times que brigam pelo título e que fogem do rebaixamento no campeonato brasileiro desse ano. E pelos desígnios de um destino altamente sacana, o Sport Clube Internacional passa pela necessidade de vencer, em casa, um Santo André que ainda luta contra o rebaixamento e depender de uma vitória do Grêmio, no Maracanã, contra o Flamengo, para se tornar campeão brasileiro novamente após 30 anos na fila.

O Grêmio, por sua vez, anuncia que, finda sua participação em jogos em Porto Alegre, onde foi soberano, ganhando 14 das 19 partidas (e empatando as outras 5, permanecendo invicto), estará dando férias aos seus principais jogadores pois, nas palavras do seu presidente Duda Kroeff, "o jogo contra o Flamengo não tem importância nenhuma".

Inobstante ser um direito dos clubes jogarem com times mistos - os que disputam a Libertadores fazem isso no começo do campeonato e ninguém reclama de nada - eu pessoalmente não aprovo esse tipo de postura. Ainda mais que, não tendo o Grêmio realizado a campanha que dele se esperava, ainda seus jogadores ganham férias antecipadas!

Eu imagino isso numa empresa, em que os funcionários, não tendo atingido a meta, ganham férias!

Deve-se ponderar, no entanto, que jogar com reservas não significa necessariamente perder. Mas significa não estar nem aí para as coisas, ainda mais quando "as coisas" significam a possibilidade de título do rival. O Grêmio vai ao descaso, com reservas. O Flamengo, faminto pela vitória. Se futebol fosse lógica, já poderíamos dar a taça ao time carioca, na fila desde 1992.

Mas não. Além de Flamengo e Inter, Palmeiras e São Paulo também sonham, ainda que mais distantes, com o título, pois estes dois últimos dependem de resultados em série!

Alheios a isso, os torcedores se dividem. A maioria ainda, que se proclama anti-Inter, torce por mais uma derrota do Grêmio fora de casa. Os demais, aparente minoria, mais ponderável, põe o Grêmio acima de tudo e, inobstante qualquer título do rival, seguirá torcendo para seu clube.

Eu só não entendo como torcedores gremistas ainda preferem secar o Grêmio a secar o Inter!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Antigamente mas esses tempos atrás

Nasci numa época em que a tecnologia era uma coisa de poucos e loucos. Queria ter um gravador. Exatamente, um gravador, daqueles que se põe a fita k-7 e se grava vozes. Uns amigos ganharam de presente do pai, era o máximo.

Nessa época, meu pai comprou um rádio-gravador. Fitas Basf 60 minutos. O máximo. Passava as tardes e as noites colado ao rádio esperando ansiosamente por aquele sucesso que eu gravaria e pudesse ouvir quando quiser. Muitas vezes demandava semanas, até a música aguardada tocar.

Não raro se desistia daquela emissora e passando o dial para outra, se pegava a exata música desejada pela metade. Ou então passava-se por todas as estações possíveis e se voltava àquela que se estava antes. Pimba, lá tava a malsinada música tocando pela metade.

Havia uma técnica de tentar adivinhar antes do locutor “soltar” o som: muitas músicas foram gravadas assim, não era bem a esperada, mas enfim, tava gravando e o som era legal. O máximo dos máximos, evidentemente, era acertar em cheio, pois nem sempre era anunciada a próxima a ser tocada.

Ou então era anunciada e o cara ia falando durante toda introdução instrumental, até entrar a locução. Pronto! Foi-se a possibilidade de gravação. Amigo meu, hoje meu cumpadre pois é padrinho de minha filha, chegou a ligar para famoso locutor de rádio FM e lhe descer os cachorros por conta disso!

Mas o tempo passou e vieram os mp3 e os rapidshare da vida. Ah, quer tanto uma música? Basta dar uma boa buscada em alguns saites, esperar alguns minutinhos, dependendo da sua conexão, e pá-pum, tá lá a música “baixada”. Ta feito o download! Sem surpresas, sem grandes esperas, sem locutores que falam pelos cotovelos, sem troca de estações de rádio.

E com o tempo que sobra, fazemos o quê?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cristais Partidos

O beijo estalou no ar soando como despedida. Fosse eu outra pessoa, irreal ou não, na tela da tevê ou imerso em algum pensamento alheio, esse personagem de delírios faz mira com os olhos procurando hipnotizar aquela quem (talvez seja) sua amante. Feito super-herói, dotado de poderes incomuns – e, no entanto, amar como ser meramente mortal. Amar também é morrer, é voltar todos os dias a um lugar desconhecido (incerto e não sabido), é mergular em profunda introspecção, é retardar dores que um dia acontecerão.

E então, beijo em despedida: vozes em coro, ilusão instantânea, quem sabe ouvindo Elis, ela partindo para um outro lugar onde não estarei, batendo aquele desejo de feroz onipresença, ficará entregue a momentos evasivos nos lugares (aqueles não sabidos), e saudade é revisitar uns outros lugares que lembram velhas histórias, paixões, primeiros beijos e.

A primeira impressão é a de que não estou aqui. De que o momento não existe. Amar é não existir. E saudades, perceber o mundo ao redor sem.

Preciso ir também. Para outro rumo. Ceder o espaço que ocupo para ser tomado por outra pessoa. Todos os lugares do mundo são ocupados novamente, quando precisamos-queremos-podemos desocupá-los. Na sala de espera. Na poltrona do cinema. Na fila da fila. O mundão não foi criado para haver nele o vazio (existencial). Quando intuímos o desamor (amar é intuir) descobrimos, pelo rompimento, que não mais existimos. Não para uma série de pessoas que percebiam nosso desassossego (pode ser). Por nós.

É preciso romper! Há todo um passado nos olhando pelas costas. Deixando-nos prosseguir. Para um dia, preparados, nos derrubar pelas costas! (Ela diria) Amar é trair!

Trair a: vida concedida, concessão que nos é dada para (pensar sorrir sentir beijar amar intuir iludir olhar parar e). O caminho deve ser seguido; a missão, cumprida. Cumprir esse código de ética de honra genético moral legal espiritual, espírito e mente sana. E somente então retroceder. Voltar num tempo em que não é mais possível ter o que (talvez) tínhamos!

Tempo de negação. Reconstruindo uma imagem gerada por pesadelos, desses que temos em vida. O beijo era o sonho (amor é pesadelo). Despedida.

Amar é partir a todo momento.

E então, que ela esqueça esse sentimento no caminho, no atalho ou, enquanto dorme, sonhe com seus heróis de infância, jurando viver em outro mundo, distante e (quer crer) inexistente.

Lendo pensamentos, quem sabe eu soubesse de seu amor. Paixões não partem em carruagens deixando rastros de qualquer perfume impregnado no ar. Paixões explodem ou implodem. Mas impossível decifrá-los, qualquer vâ expectativa tangenciaria a evidência.

(mas amor não é perceptível aos olhos, desses que usamos para admirar as paisagens de todos os dias) Seriam essas suas palavras. Por suposição.

Os olhos fecham-se às barreiras, por ora intransponíveis. Amar não é enxergar o outro lado? Gritos, para nada! Não ouço a resposta porque ela está ausente.

E não responderá, mesmo que o som se propague à razão de [números]. Não ouvirá. Por intuição, em seu destino rumo a um outro dia, não ousará olhar para trás!

É que (ela sabe) estarei bem atrás – os olhos serão os mesmos, a boca, a voz, os cabelos serão os mesmos, e o desejo, indestrutível!

Sei que se o amor, fosse material, seria de vidro.

E todos nós somos, ao menos uma vez, atiradeira.

Restam, de cacos que cortam e deixam à mostra, feridas e cicacrizes.


(outubro/1995)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Telecine Pipoca o caramba!

A tevê a cabo disponibiliza o chamado "Telecine Pipoca", que é dublado e tem um intervalo no meio do filme - pra quem não gosta de legendas e vai fazer o pipizinho no meio do filme.

Está longe de ser meu caso. Inobstante a dublagem brasileira ser excepcional e um trabalho não reconhecido, ainda prefiro as versões originais. Mas lá está o "Telecine Pipoca" pra quem tem tevê a cabo mas não se desvincula das globos da vida.

E nisso estava lá eu passando os canais, querendo mesmo ver um filme. E era só naquele canal que tinha um começando dali a pouco.

"A Garota Morta" ("The Dead Girl", EUA, 2006), escrito e dirigido por Karen Moncrieff, é um filme instigante a partir de uma solitária mulher que vive com a mãe opressora e encontra no quintal de sua casa uma garota morta. A partir daí cinco histórias independentes se entrelaçam em torno da garota morta. O último segmento é a seqüencia final da garota, vivido por Brittany Murphy, e não apresenta nenhuma surpresa na trama, cujo desfecho é pré-anunciado.

Termina o filme com a história entrelaçada dessas cinco mulheres - a que encontra a garota, a irmã de outra menina desaparecida, uma esposa sofrida, a mãe da garota e a própria. Intensas, na brevidade que a surpreendente Karen Moncrieff pode contar. Fica um espinho entalado no pescoço!

Mas telecine pipoca o caramba!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O Prevalecido

Na minha adolescência nos saudados anos 1980, era comum a gurizada usar o termo "provalecido", atribuído a quem se valia de uma condição de superioridade, em geral atribuída à força ou ao tamanho. Era aquilo do maior bater no menor. Estava sendo "provalecido".

Claro que usei esse termo dentro de casa e claro que fui imediatamente corrigido por minha mãe, purista da língua. E de fato ela estava certa: "provalecido" não existe no dicionário. O correto seria prevalecido, do verbo prevalecer, que segundo meu Aurélio: verbo intransitivo direto. Impor-se (ou superar), por valor, mérito, etc. Predominar. Verbo pronominal: valer-se, aproveitar-se.

Então: lá fui eu me defender com o vernáculo, na primeira ocasião em que a palavra foi atirada ao ar, no pátio do colégio. Prevalecido! A risada foi uníssona! Tentei explicar. Mais risadas.

De volta ao recreio, nada mais oportuno que a aula de Português. Seria se a professora fosse a Dona Irene. Não era, era a Carmen: "Professora, o Rodrigo disse que o certo é prevalecido". Não tive respaldo dela. Ela encontrou diferenças de sentido para ambas as palavras.

Não desisti: fui na aula com o dicionário. Mostrei o significado de "prevalecido", que era exatamente o empregado para o inexistente "provalecido". Sabe que mesmo assim não convenceu? Desisti, evidente, de convencer qualquer pessoa sobre o assunto.

Tantos não podiam estar errados, mas nem eu, que tinha o dicionário a meu favor, do qual me prevaleci para mostrar que tinha razão.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Conto: "SILÊNCIO NO AFETO OU A JANELA DO 5° ANDAR"

Desenha em alguém a pessoa
que eu desenhei em você.
Desenha e não jura
paixão nunca dura,
valeu amiga, a gente se vê.

Oswaldo Montenegro: Silêncio no afeto


A luz que vinha do 5° andar. E com a luz todos os enigmas daí advindos: meias-verdades, verdades relativas. Os fatos dividiam-se em realidades paralelas, o ser e o não ser, o poder e a impossibilidade, o querer e o inconquistável. Conjeturou. Analisou. Refletiu, quase como o branco da iluminação que saía do alto do edifício pela janela. Já era tarde, e no amanhã seria cedo demais.

E nem foi tarde nos dias e noites que passaram. Os dias passaram mesmo em vão: distraía-se com a rotina do dia-a-dia. Já vivera desses vazios muitos anos antes, e agora carregava o (a)cúmulo da experiência desse tempo todo. O que fazer, com tanta maturidade, quando se deseja, quando a provocação se torna mais forte, quando os achegos vêm com tantas subliminares que é impossível mesmo saber de toda a verdade?

Existiam mentiras, mas não necessariamente essas mentiras que fazem mal, mentiras que machucam e acabam com relacionamentos. Naquele caso, apenas omissões, os fatos recontados, a cristalina verdade mascarada de uma forma para evitar a dor. E o erro. O medo maior era errar, pagar o mico mais uma vez. Isso não admitia, por isso seria uma das poucas vezes em que planejaria sua ação. Passo a passo, nada poderia deixar de estar milimetricamente arquitetado: ruiria se agisse com o ímpeto que justificara as grandes mudanças da vida.

Longe: as garrafas iam empilhando-se na mesa, entre conversa descontraída com os amigos. Perto: passavam tão próximos um do outro que era como se trocassem pensamentos, esses pensamentos que minam a gente quando nos sentimos desejando a maçã do paraíso, feito Adão e Eva. Mas ficam apenas experimentando-se, não admitem (para si ou diretamente para o outro) que o desejo é algo controlável e que como pessoas adultas podem viver tranqüilamente desejando um ao outro sem que nada acontecesse. É normal, é saudável.

Mas para ele cada vez mais isso lhe arrepiava a pele, mudava-lhe os sentidos. A leitura que os confidentes de bar traziam-lhe incendiavam a possibilidade. “De louco passado ou engano, seja o que for, é normal, tá tudo certo, silêncio no afeto, o poeta canta o final”. Deixar que os fatos dominem os pensamentos e as verdades. Deixar que a vida leve. E que seja leve. Sabe que permanecerá – o medo de inserir na pele seu nome como uma marca indelével, definitiva.

E tornava a indagar a fenestra do 5° andar. De lá vinha o silêncio e a impossibilidade. Longe: chovia. Perto: era como se houvesse sol. Longe: era como não estar ali. Perto: impossível fugir. O resto seria negar as conseqüências.

Renovando as cervejas na mesa, continuavam a traçar as possibilidades, para todos cada vez mais reais. Tudo que vai, volta, tudo que sobe, desce, era o que sabia, era o que lhe diziam. E quando realmente voltou, desceu, quando passou por segundos diante dos olhos que testavam e queriam, foi quase planejado, para ele, para ela: um assobio, um sorriso, um aceno. Perto. Longe: os segundos depois que tudo passou. Perto: a cena repetindo-se na mente, martelando os pensamentos. Longe: o álcool e a mesa e o bar – estariam a influenciar suas decisões não tomadas?

Foi assim que adiou tudo: para quando menos esperasse. Negar, insistir, repetir, dar a consistência dos atos aos pensamentos que o atordoavam – seriam essas suas próximas decisões? Não sabia. Apenas olhava: a luz apagada, mais uma vez tarde – todos dormem, ele dormirá também.

No sonho, um anjo lhe contará enfim toda a verdade.


(Escrito em Ijuí, 27/11/03, 8h46min)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Curtinhas

Eleições da OAB

Reelegeu-se, com larga margem, o atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cláudio Lamachia. Concorria com Mathias Naigelstein e Leonardo Kauer Zinn. Ficou com 80 % dos votos válidos, composto de pouco mais de vinte mil advogados votantes, dentre praticamente o dobro de habilitados.

É um resultado que o credencia, sem dúvida, mas ao mesmo tempo que põe sobre os ombros dos detentores do poder enorme responsabilidade. Agora resta esperar que as promessas de campanha não sejam só promessas e que os feitos aclamados até aqui prossigam sem ônus para a classe.

Ao contrário, que vem os bônus!

Selecinha

Hoje é dia de selecinha, de almoçar com a canarinho para quem curte o escrete nacional. Amistoso contra Omã - nenhum atrativo senão depositar os olhos na tevê dentre uma garfada e outra. E se a comida for mesmo muito boa, fica-se só com o áudio da tevê!

Dunga termina o ano em alta e credenciado como favorito à Copa do Mundo na África do Sul. Aliás, grande África nisso! Quando é que a selecinha não entra como favorita na Copa do Mundo? Isso acontece a cada quatro anos, é que o povo tem pouca memória mesmo.

Como felizmente desse mal não sofro - me libertei de torcer para os emigrantes brasileiro em 1985 - o jogo de hoje me passará batido. Talvez não tão batido, já que estou aqui falando nele. Mas enfim, tenho esse espaço justamente para falar de alguma coisa. Qualquer coisa.

Política

A política anda meio calma, embora ainda esteja em ebulição o apagão da semana passada, que todos avidamente procuram transformar em fato político.

Aliás, nada mais conveniente já que a candidata da situação é justamente egressa do Ministério de Minas e Energia! Claro que combatida pelos meios de imprensa, hã, de oposição - oposição nos últimos oito anos, situação em outos vinte.

Na aldeia, as vitórias políticas da governadora fazem todos esquecerem os pufes com dinheiro público. Até o início da propaganda política, silêncio total! E com aumento na carreira inicial do magistério o que, avise-se desde já, acarretará um sem-número de ações judiciais visando isonomia.

Como diz a música, "ora viva, chegou a enchente, vai trazer trabalho pra gente"!

Enfim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Informação: denuncismo ou tragédia?

Já está sob execração pública a técnica de enfermagem que foi presa na sexta-feira, indiciada por homicídio qualificado na forma tentada, por envenenamento de onze bebês na maternidade de hospital de Canoas.

A notícia choca a aldeia, que adora o pitoresco local, mas evidentemente, ganha manchetes internacionais. A imprensa, sempre ávida por notícias e esfomeada por tragédias, já faz seu "trotoir" com matérias que mesclam o dever de informação que carrega consigo, mas também recheia com melodramas trágicos, ilustrado por recursos de áudio e vídeo que tornam a matéria impressionante.

Não vi o tal "Teledomingo" (RBS TV) de ontem, 15 de novembro, onde a reportagem conseguiu inclusive o vídeo com a formatura da técnica, na qual ela como juramentista, enuncia jamais atentar contra a vida de outrem!

Tudo bem, digam o que disserem, mas cá entre nós: precisava mesmo desse vídeo, fornecido certamente por alguma colega de turma chocada com o acontecido? Evidente que há um sério distúrbio de comportamento na pessoa que cometeu tais atos, mas nessas horas ninguém parece muito preocupado com isso - a loucura é uma acusação, ninguém se compadece do criminoso, até mesmo porque há a vítima!

Agora, uma coisa é o sentimento popular, outro daqueles que devem guardar o zelo profissional. Não é o caso da imprensa, uma vez que o vídeo nada acrescenta ao caso senão com o objetivo de chocar! Ora, se ela é técnica de enfermagem, evidente que prestou um juramento, sendo juramentista ou não. A veiculação do vídeo de formatura tem como única conseqüência a reportagem tragédia.

É o tipo da matéria jornalística em que nós, com algum senso de critério e julgamento, apenas suspiramos ao final dela: "pra quê?". Pura audiência!

O próximo poderá ou será você!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Inteligência

Recebi um e-mail desses que se recebe à torto e à direita desde que se inventou o correio eletrônico. Trata-se de um pretenso alerta sobre a tal "pílula do estupro", que consistiriam no fictício "Progesterex" que, colocado nas bebidas de incautos nas baladas, levariam às vítimas para serem estupradas em motéis. No outro dia, paralisia dos membros inferiores, amnésia e provocação de aborto garantiriam a impunidade dos agressores, pois evitaria a gravidez que os denunciaria - como se não existisse DNA!

Uma simples pesquisa no Google basta para ver que esse produto simplesmente não existe! O próprio e-mail é inverossímel. Aliás, textos dessa espécie se caracterizam por serem extremamente superficiais: enumeram fatos sem nenhum tipo de dado para conferência, sem nenhum dado que empreste seriedade de comprovação!

Como aqueles que induzem a uma pirâmide da sorte: repasse este e-mail para vinte pessoas que, em duas semanas, receberá um valor considerável em sua conta! E essas mensagens sempre fazem menção a pessoas que repassaram o e-mail e foram agraciados com generosas quantias, na casa das dezenas de milhares de reais! Trabalhar para que, se dá para ganhar dinheiro mandando e-mail?

Mas o que mais me impressiona mesmo é como tem certas pessoas que acreditam piamente nessas coisas. Ou simplesmente repassam a mensagem no tipo "não custa nada, vai que é alguma coisa"! Até porque há inclusive ameaças que coisas ruins acontecerão se a corrente não seguir adiante! Bom, me orgulho de ser um grande quebrador de correntes na net, e até agora não caiu nenhuma vaca na minha cabeça enquanto eu andava na rua!

E-mails desse tipo, sem dúvida, ofendem nossa inteligência. E, sinceramente, denunciam outras tantas por aí que, ao que parece, não são tão inteligentes assim.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagões

E a imprensa ávida por identificar uma crise de energia no país, segue especulando as causas do apagão que assolou boa parte do país ontem!

Impressiona a maneira como eles (jornalistas) se mostram decepcionados quando técnicos, ministros, polítcos e etc., em suas entrevistas, são categoricos ao afirmar que este apagão nada tem a ver com os ocorridos em 1999 e 2001!

Fala-se em problema de transmissão a partir de Furnas, fala-se de erro humano, fala-se até de ação de hacker. Inútil! A imprensa queria mesmo um fato político para mexer no jogo da sucessão presidencial!

Afinal, eles vivem de notícia!

Adeus, Paulo Autuori

Em meio a notícias de blecaute, confirma-se o que já se esperava: o técnico gremista está de malas prontas para voltar ao Oriente Médio, onde nada razoáveis R$ 16 milhões lhe esperam para os próximos dois anos.

Inobstante a irrecusabilidade da proposta, Autuori ficou aqui por cerca de seis meses. Pegou o Grêmio com a melhor campanha da Libertadores e, após três jogos sem vitória, foi eliminado na semifinal. No Brasileirão, montou um time invencível em seus domínios, mas praticamente incapaz de reação fora do Olímpico.

Devolve o time ao interino Marcelo Rospide em uma nona colocação sem maiores pretensões. Não foi melhor que o próprio Rospide, não foi melhor que Celso Roth, não foi melhor que Mancini, não foi melhor que Mano Menezes. Sai sem deixar saudades ou qualquer marca de relevo que identifique sua passagem pelo tricolor.

Era unanimidade em abril, quando o Grêmio esperou, com acerto, 40 dias pela sua liberação do Catar. Só não se esperava que tão cedo os petrodólares o seduzidem novamente.

Em meio a apagões, será necessário à direção gremista uma decisão iluminada a partir de agora!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Equívocos?

Está no ar a discussão sobre o erro (na minha opinião, grosseiro) do árbitro Carlos Eugenio Simon no jogo Fluminense x Palmeiras, anulando gol legítimo de Obina quando o jogo ainda estava 0x0 (os cariocas venceram por 1x0).

Em entrevista aos meios de comunicação, Simon reforçou sua decisão com a convicção que viu falta de Obina em cima de Maicon do Fluminense. Lamenta se a tevê o desmente, pois afirma ele, estava no campo e viu a falta!

De fato, a tevê não registra o que Simon marcou. Com o recurso disponível pelo Globo.com, pude assistir praticamente quadro a quadro ao lance: o cruzamento vem para a área na direção de Obina, que está em posição regular. O atacante Maicon, do Fluminense, reforçando a marcação, vai ao encontro do atacante palmeirense, inclusive usando os braços para conter Obina. Já este, tendo a jogada à sua frente, com agilidade cabeceia para dentro do gol! Se houvesse falta, seria no Obina e, portanto, pênalti.

Simon afirma que a jogada já estava parada antes da bola chegar, pois ele já apitara a suposta falta do atacante do clube paulista que afirma ter visto. Só que congelando a imagem a partir do cruzamento, e acompanhando no quadro-a-quadro, nota-se claramente que, no momento do cruzamento, Simon está acompanhando a trajetória da bola. Só olha para Obina e Maicon no momento da cabeçada!

Ouso ainda dizer que houve um segundo de hesitação até que efetivamente fosse marcada a dita falta.

O que não me convence é exatamente o fato de que, afirma ele, teria marcado a falta antes da bola chegar, ao mesmo tempo em que as imagens mostram que nesse momento Simon está olhando para cima, acompanhando a trajetória da bola!

Enfim, o Palmeiras reclama, o Fluminense faz silêncio velado. A banca paga e recebe, amanhã se inverterão os papéis. O fato é que a arbitragem erra demais e estraga o futebol! Há quem ache que o erro faça parte do jogo. Eu, particularmente, penso que não, e por isso que admiro esportes como vôlei e basquete, bem mais, digamos, honestos!

Admiro, mas gosto mesmo é de futebol!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Barbárie na UNIBAN

Demorei para formar opinião acerca do episódio que envolveu a estudante Geisy Arruda na Universidade Bandeirante de São Paulo (UNIBAN).

Tudo o que eu sabia era que uma estudante daquela universidade fora humilhada e ameaçada por universitários em virtude de trajes sumários que estaria vestindo numa sexta à noite, ao início das aulas noturnas.

Geisy tem 20 anos e vestira-se já pronta para uma festa que iria após a aula. Na matéria de telejornal que assisti, via Youtube, fez-se questão de dizer que a mesma é filha de metalúrgico que paga suas mensalidades - não sei muito bem a importância e a necessidade de se divulgar tal informação!

Vi as cenas disponibilizadas na rede: são cenas de violência gratuita. Honestamente, inclusive o traje da moça não achei tão sumário assim. Acredite, já vi coisas piores por aí.

A confusão toda, ao que se noticia, resultou em suspensão dos alunos envolvidos, que foram identificados, e expulsão de Geisy!! Não sei de detalhes do processo administrativo que motivou tais punições, mas ao que me parece o mais correto seria o contrário!

Independente do cabimento de tais trajes em ambiente universitário, a reação de alunos, motivados sabe-se lá pelo que, tomou proporções descomunais, agitando uma galera de (segundo a notícia) 700 pessoas que se entregaram ao ato público de humilhação. Isso num ambiente universitário!

Questiono seriamente a decisão da Universidade em expulsar a jovem! Certamente seus advogados já estão manejando a ação devida para repo-la no "status quo ante", pois é intolerável que alguém seja expulso de uma Universidade porque trajou roupas que, deixemos de ser moralistas - estão aí pelas ruas!

A expulsão praticamente justifica a barbárie, e torna os doutos professores que assinam tal decisão tão bárbaros quanto os apedrejadores de antes de Cristo!

sábado, 7 de novembro de 2009

Sábado entre chuva e sol

Cinema em Luto

Ouço (e leio) agora a notícia da morte do cineasta Anselmo Duarte, aos 89 anos. Segundo as poucas informações que chegam, ele teria sofrido um AVC há alguns dias e estava internado. Também se tratava de um câncer na bexiga.

Para quem não sabe ou não lembra ou simplesmente não se liga nessas coisas, Anselmo Duarte foi o diretor de "O Pagador de Promessas", de 1962, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e também concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - é a pelicula nacional com o maior reconhecimento, em se tratando de prêmios em festivais internacionais.

Seu último trabalho como diretor foi em O Trombadinha, de 1979. Depois disso, teve participações como roteirista e ator, sendo sua última atuação em Brasa Adormecida, de 1987.

Inobstante o inegável talento como diretor, sua carreira sofreu declínio em virtude de suas desavenças com o chamado "cinema novo", grupo identificado com o neo-realismo italiano e pela "Nouvelle Vague" francesa, pregava um cinema com mais realidade e menos custo - daí a boca do lixo paulista a partir dos anos 1960.

Fica aquela impressão de trabalho inacabado, mas com a satisfação de alguma missão cumprida. Afinal, foi precursor ao levar o cinema nacional reconhecidamente além-mares!

Igual a ti só no inferno

Achei este livro num sebo da Feira do Livro. Escrito pelo gaúcho Antonio Carlos Resende (autor de "O Louva-a-Deus", "Magra, não muito, as pernas sólidas, morena", dentre outros), publicado em 1988, fui lê-lo em 1990, retirado da bibliotecca que havia na empresa que eu trabalhava na época.

Conta a história do terrível amor de um homem casado por uma belíssima mulher chamada Ana Paula, e a devassa que a mesma faz em sua vida somente por força desse amor terrível. Aliás, "amor terrível" é a definição da apresentação que o saudoso Paulo Hecker Filho faz na capa de trás: "Antonio Carlos Resende, no seu estilo correto e sensível nos conta em Igual a ti só no inferno mais uma de suas histórias de amor. Do terrível amor...".

Ah, essas mulheres!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Escrever, criar, mentir

Feira e Oficina

Não resisti e ontem voltei à Feira do Livro. Gastei mais alguns tostões com obras de autores locais em balaios. Acabei encontrando um livro que procurava ("Oficina de Criação Literária - Um olhar de viés", de Berenice Sica Lamas e Marli Marlene Hintz), na banca da EDIPUC, que - por óbvio - trata da oficina de criação literária do Prof. Assis Brasil.

O livro relata as impressões de duas alunas no processo criativo. Muito bom para entender o funcionamento da mesma, e dá sede de participar dos exercícios propostos. Alguns dos quais eu já fiz em contos que escrevi, no entanto sem saber que eram didáticos de oficina de criação.

Bom saber que não estou muito longe dos exercícios criativos.

No ônibus

Vim lendo esse livro na manhã de hoje, a caminho do trabalho, no ônibus. A parte boa de não estar de carro - creio que a única. No primeiro exercício, de contato com os participantes da Oficina, o aluno é instado a escrever, em primeira pessoa, um texto de apresentação daquele que está exatamente à sua frente. Dá-se um nome, características, um história, para depois se comparar com a verdadeira.

Li isso e vim pensando secretamente nas pessoas que estavam dentro do T7 - e são tantas histórias que muitas vezes podem se entrelaçar sem sabermos. Pensei em um conto com quatro ou cinco vozes dentro de um coletivo, com as histórias tendo seu ponto de visão em comum, mas mantendo cada uma sua particularidade.

Sempre gostei de histórias assim. Tem um filme chamado se não me engano de "Beco dos Milagres", que retratam diversos fatos sob diversos ângulos, sempre fazendo uma costura entre as diferentes histórias que nada tem em comum. Socorro-me do sempre eficiente IMDB para localiza-lo, pois apenos recordo da participação de Salma Hayek: chama-se "El Callejón de los Milagros", produção mexicana de 1998.

Outro filme que citei aqui dias desses, "Antes que o Diabo Saiba Você estará Morto", faz a mesma coisa. E outros tantos exemplos haveria de citar.

Na literatura, lembro sempre da novela "Dodecaedro", de Caio Fernando Abreu, onde doze fragmentos e vozes contam, sob diferentes prismas, a realidade fantástica de estar numa casa cercada por cães.

São experiências válidas para chegamos ao objetivo maior que sempre parece ser apenas escrever, e que nunca é tão simples assim.

O menino mentiroso

Hoje admito sem maiores medos: quando menino, fui um dos maiores mentirosos que se tem notícia por aí. O problema era que minha irmã do meio estava sempre por perto, e aí era sempre mais complicado mentir. Mas quando livre da intervenção daquela que me desmascarava, não demorava muito para eu soltar uma lorota!

Depois aprendi que o escritor pode ser o mentiroso de outrora. Pelo menos o meu lado escritor. Se tantas vezes imaginei realidades paralelas, fatos divorciados da realidade, por que não traze-los para o papel - ou para a tela do computador - e viajar nesses delírios mentirosos que são tão inocentes e inofensivos quanto aqueles de minha infância?

De qualquer jeito, já peguei minha filha Helena, de cinco anos, mentindo. A cara preparada é algo indescritível!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não estamos sós!

Leio no saite da Zero Hora algo sobre as comemorações dos 40 anos da internet! Como assim, quarenta anos? O tempo passou e não me dei conta? Fiquei congelado por fatos que me são alheios? Fui abduzido por alienígenas e voltei 26 anos depois? O que exatamente está se passando?

Vou a fundo na matéria, o que para os dias modernosos significa clicar no link que vai me explicar tudo. E pá-pum, tá lá a explicação bem mais sensata que creogenias e E.T's sequestradores: em setembro de 1969, pela primeira vez (que se tem notícia), dois computadores da UCLA (Universidade de Los Angeles) trocam informações, ainda que sem sentido. Seria o primeiro teste de computadores em rede - algo mais "intra" que "inter", mas ao que tudo indica as comemorações dos quarenta anos remonta aos primórdios do engatinhar da rede.

Até onde me lembro, a internet chegou ao Brasil em 1995. Recordo também de um conhecido que tinha internet - discada, lembram? Eu, nem computador - fui comprar meu primeiro em 1997! E inclusive não funcionou, porque ele não conseguiu acesso ao computador remoto. Assim a internet passou como algo meio que distante por alguns anos, ao menos para mim:em 1997/8 trabalhei em uma empresa que não se comunicava pela internet, a troca de dados era feita no final do dia através de conexão por telefone, e tínhamos que parar tudo para transferir os dados!

Pelo que me recordo, meu primeiro e-mail fiz em 1999, aquele do zipmail, meio sem saber o que fazer com aquilo. Fui ter acesso à internet, em casa, somente lá por agosto de 2000, sempre discada. A banda larga somente chegou a mim em 2005.

Não sou parâmetro para nada, pois não fui pioneiro nessas coisas - tampouco o atrasado retrógrado. Fiquei ali no meio termo onde, dizem, está a virtude.

Leio ainda que a conexão entre diferentes redes, o que se configura como aquilo que conhecemos como inter-net, só se deu em 1983 - eu tinha 13 anos, e computador para mim eram aquelas máquinas enormes que o Prof. Ludovico derrotava, para desespero dos gênios locais! Mas lá estava a comunicação entre redes distintas!

Depois vieram avanços, como criação do Yahoo!, que foi o primeiro saite de buscas no mundo. Isso foi em 1992, o Google só viria em 1998. A banda larga, segundo noticia-se, data de 2000. Em 2004 surgiu o orkut - minha adesão ao programa deu-se ainda naquele ano -, o Youtube em 2005 e o Twitter em 2006. Ao final, segundo essa linha do tempo, hoje são 64,5 milhões de brasileiros conectados à internet.

De fato, não estamos sós!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Rapidinhas

O calor chegou às ganhas. Tanto se reclamou do frio no inverno: taí, o verão que infernizará vidas!

Bom para a indústria dos "splits" e coisas do gênero, que venderão bem. Aliás, tenho que comprar um! Dormir tem sido uma tarefa hercúlea!

Passei hoje na Feira do Livro, olhei vários baús de saldos. Minha intenção era achar livros de contos e publicações da Brasiliense ("Cantadas Literárias"), mas não tive muito sucesso. Acabei comprando dois Sabinos: "A Falta que Ela me Faz" e "A Mulher do Vizinho", ambos crônicas, o primeiro publicado em 1980 e o segundo nos anos 1960. Sempre boa e leve leitura!

Escrevo isto assistindo a Grêmio x São Paulo. Jogo terrível! Melhor é continuar escrevendo essas pequenas notas!

Quando não se está inspirado, é isso: já falei do tempo, da Feira, de futebol, e meio que acabou o assunto.

Cronistas diários têm que ter uma fórmula, senão o texto não sai. Ficar dependendo exclusivamente da inspiração é pedir pra morrer! Literariamente, ao menos!

Por enquanto vamos vivendo assim, aos poucos. Quem sabe daqui a pouco as coisas não estão mais dinâmicas?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

De volta...

Após quatro dias de recesso junto à orla, estou de volta. Estamos, mesmo que nem todos tenham se permitido esse retiro proposto pelo feriado dos mortos!

E quando penso que temos um feriado para reverenciar aqueles que partiram e nos deixaram saudades, penso também que muitas vezes celebramos mais a morte do que a própria vida - embora, verdade seja dita, haja feriados mais para esta do que para aquela.

Mas quantos artistas, políticos e outras celebridades tiveram muito mais reconhecimento na morte do que em vida? Quantos, feito Van Gogh, só tiveram reconhecimento póstumo? Diz-se, por exemplo, que muitos compositores clássicos só tiveram a real dimensão de seu valor após a morte, embora que, à época, sua grande maioria  teve o reconhecimento possível à época. A grandiosidade só veio depois.

Certa vez li interessante artigo sobre a vida e obra de Saliéri, retratado como algoz de Mozart no filme de Milos Forman, de 1985. Saliéri, na visão de Forman, invejava Mozart pelo seu talento incomum. No entanto, segundo alguns estudiosos, seria Mozart que teria todos os motivos para invejar Saliéri, já que este que era o compositor da Corte Austríaca, cargo ambicionado por dez dentre dez compositores à época.

O talento de Saliéri, no entanto, ficou obscurecido pelo inigualável de Mozart. Assim como tantos outros artistas que, por motivos mais diversos, vivem à sombra da fama: nem todos querem mesmo ser famosos.

Não sei se deixarei para as futuras gerações algo digno desse sucesso estrondoso que marcam as celebridades póstumas, só sei que em minha lápide constará poesia de Álvares de Azevedo (em "Lembranças de Morrer"):

"Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida".

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