segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Informação: denuncismo ou tragédia?

Já está sob execração pública a técnica de enfermagem que foi presa na sexta-feira, indiciada por homicídio qualificado na forma tentada, por envenenamento de onze bebês na maternidade de hospital de Canoas.

A notícia choca a aldeia, que adora o pitoresco local, mas evidentemente, ganha manchetes internacionais. A imprensa, sempre ávida por notícias e esfomeada por tragédias, já faz seu "trotoir" com matérias que mesclam o dever de informação que carrega consigo, mas também recheia com melodramas trágicos, ilustrado por recursos de áudio e vídeo que tornam a matéria impressionante.

Não vi o tal "Teledomingo" (RBS TV) de ontem, 15 de novembro, onde a reportagem conseguiu inclusive o vídeo com a formatura da técnica, na qual ela como juramentista, enuncia jamais atentar contra a vida de outrem!

Tudo bem, digam o que disserem, mas cá entre nós: precisava mesmo desse vídeo, fornecido certamente por alguma colega de turma chocada com o acontecido? Evidente que há um sério distúrbio de comportamento na pessoa que cometeu tais atos, mas nessas horas ninguém parece muito preocupado com isso - a loucura é uma acusação, ninguém se compadece do criminoso, até mesmo porque há a vítima!

Agora, uma coisa é o sentimento popular, outro daqueles que devem guardar o zelo profissional. Não é o caso da imprensa, uma vez que o vídeo nada acrescenta ao caso senão com o objetivo de chocar! Ora, se ela é técnica de enfermagem, evidente que prestou um juramento, sendo juramentista ou não. A veiculação do vídeo de formatura tem como única conseqüência a reportagem tragédia.

É o tipo da matéria jornalística em que nós, com algum senso de critério e julgamento, apenas suspiramos ao final dela: "pra quê?". Pura audiência!

O próximo poderá ou será você!

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