domingo, 27 de novembro de 2011

O Turista Acidental - III

Salvador - Na sexta-feira começou, de fato, o congresso da Raquel. A mim restou a praia, onde me abanquei perto das 10h e só saí quase 17h. Nesse meio tempo terminei o livro que estava na metade ("O Sócio", John Grisham), li toda a IstoÉ, tomei diversas geladas, comi camarão à milanesa e tomei alguns banhos de mar.

Fui para o hotel dormir, para poder estar inteiro à noite: fomos no Restaurante Iemanjá, onde comemos um "camarão Humaitá" - uma espécie de bobó feito dentro da moranga. Na volta pegamos de taxista um jovem que estuda Engenharia do Petróleo, está com a mulher grávida e totalmente intolerante com a violência e os criminosos. Resolvi que o melhor era concordar.

No sábado, entre os turnos do congresso da SBRAFH, retornamos ao Mercado Modelo e desta vez compramos o que queríamos, podíamos e um pouco mais. Voltei para o hotel com as compras, Raquel seguiu no congresso. À noite jantamos no Barravento um bobó de camarão, não sem antes tentar um outro restaurante na Barra para comer carangueijo: a carne, sem dúvida, é gostosa, mas para meu gosto não vale a pena!

Deixamos para a manhã deste domingo uma curtida na praia, acarajés e abarás. São 12h51min no agora, já fizemos o check-out no hotel e aguardamos o táxi para o aeroporto. Vôo às 16h50, com conexão em Brasília, chegaremos em Porto Alegre após a meia-noite.

Valeu a pena, foi de bom tamanho, agora é trabalhar para recuperar pelo menos parte do gasto da semana que não foi pouco.

sábado, 26 de novembro de 2011

O Turista Acidental - II

Salvador - Na quinta-feira, 24, fomos conhecer as ilhas dos Frades e de Itaparica - partindo de um barco na Marinha junto ao Mercado Modelo, com o conforto de ter pago o passeio no hotel com o milagroso cartão de débito.

Foi aventura para o dia inteiro: saímos pouco depois das nove da manhã em direção à Ilha dos Frades. O guia no barco arranhava um baianhol (misto de baianês com espanhol) terrível, repetia palavras naquilo que ele pensava ser a língua dos hermanos e por vezes repetia mesmo em português: "estamos chegando na ilha/ilha/isla".

A bordo, pessoas de diversas partes do país e do mundo. Havia um casal de alemães, alguns de argentinos, um casal homoafetivo uruguaio, grupos do Ceará, de Goiânia. Éramos os únicos portoalegrenses a bordo!

Chegamos na Ilha dos Frades debaixo de um sol escaldante e com artesãos locais à nossa espera. Como temos feito desde que desembarcamos em Salvador, fizemos a alegria daqueles de vivem de turismo. As lembrancinhas em Porto Alegre serão, sem dúvida, artesanato!

Havia uma igreja no alto de uma colina para visitar. Raquel até pensou em ir, eu preferi me ajeitar debaixo de um guarda-sol e tomar uma ambeviana - estou gastando minha última cota dessas águas fermentadas que chamam de cerveja!

Nessa oportunidade fizemos amizade com um carioca que acompanhava sua irmã que mora na Alemanha, junto com seu marido alemão e totalmente cara de estrangeiro. Fechado no início, o alemão se soltou mais no final da tarde. Com ele eu me comunicava dizendo "Gutten tag", "Beethoven", "Mozart" e outras expressões! Ele achava graça!

Na Ilha de Itaparica, depois do almoço, fizemos um tour num ônibus caindo aos pedaços - que a todo momento mostrávamos para o alemão: "Ó, é Mercedez-Benz" com um guia para lá de falador. A diferença que esse falava espanhol com desenvoltura e - dizia ele - francês também. Para Raquel disse, depois de algumas intervenções minhas na sua explicação, que ela era uma santa por me aturar!

Voltamos para Salvador com o vento contra: isso implicou em algumas ondas para dentro do barco, o que terminou por encharcar minha camiseta e assustar a bela e pequena argentina que a foto mostra.
 

É um passeio que vale a pena, tipo que obrigatório!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Turista Acidental - I

Salvador, BA - Chegamos a Salvador na madrugada de terça para quarta-feira (de 22 para 23 de novembro), provindos de um vôo saído de Porto Alegre com conexão em Brasília.

A primeira surpresa ficou por conta da distância do aeroporto para a cidade, como sói acontecer modernamente: a corrida de táxi, paga no saguão do aeroporto, ficou em R$ 107,00 (31 km, segundo o motorista).

O taxista, sergipano de nascimento mas há quarenta na Bahia, torcedor do Vitória, fez todo o trajeto explicando os principais pontos por onde passávamos: para que lado era o Barradão, onde ficava o Pituaçu, a boemia no Rio Vermelho, o que era Cidade Baixa e Cidade Alta.

Chegamos no hotel já mais de duas da manhã e - felizmente - nossa reserva estava lá nos esperando. Sou um pouco desconfiado com essas coisas feitas pela internet que, apesar de terem me mandado e-mail um mês atrás dizendo que estava tudo confirmado, convém desconfiar. Confiar desconfiando, como diria meu sogro.

Dormimos o sono dos justos e acordamos para o café da manhã. O hotel (Grande Hotel da Barra), apesar da tradição, é bem mais ou menos. Como aliás inclusive o Othon, muito mais suntuoso, onde está se realizando o Congresso que motivou a vinda da Raquel para cá: suntuoso na entrada, simplérrimo no restante.

Quer hotel realmente cinco estrelas: paga-se muito caro. Esse aqui se diz quatro, custo a acreditar!

Bem, na quarta-feira realizamos um passeio livre, ao sabor das circunstâncias: passeamos ao longo da praia da Barra e almoçamos uma deliciosa mariscada no restaurante Barravento.

À tarde, pegamos um ônibus para o centro da cidade e fomos conhecer o Pelourinho, Elevador Lacerda, Mercado Modelo: incrível como os vendedores ambulantes e guias de turismo são pegajosos. Tive que pagar para me livrar de um!

O Pelourinho nos impressionou pela quantidade de igrejas: lindas, mas mal conservadas. Na Europa paga-se para entrar em santuários e castelos justamente para isso - manter a cultura local. Aqui, a coisa ainda engatinha.

Encerramos a noite comendo uma boa pizza num bar ao lado do hotel. Depois de se gastar (muito) dinheiro durante o dia, era preciso dar uma economizada.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fatos e fotos

 Esses dias subi no terraço da vizinha para pegar uma panorâmica. A obra é dinâmica, e a foto já está desatualizada: desde ontem estamos pintando as paredes, por dentro e por fora. A mancha no canto inferior esquerdo é o meu dedo mesmo.















Taí a evolução desde 9 de maio (o depois e o antes):









Dentro, as instalações da nano-cervejaria:
















E esses dias saiu galinhada na obra (com calabresa):














E pra finalizar, algo que ainda vou comercializar: bauru de cordeiro. Servidos?

terça-feira, 12 de julho de 2011

Imagens do fim-de-semana

Fim-de-semana de festa junina (no sábado) e costelão (no domingo). Simplesmente perfeito!




Momento pai & filha: a dança do limão na testa!



Gremista feliz!


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Codle e cervejas

Descobri um prato irlandês maravilhoso, num legítimo Pub que ando frequentando em Porto Alegre (breve novidades a esse respeito).

O prato em si é simples: linguiça de porco defumada com batata. Quer combinação mais banal e perfeita? Pois é. Junte a isso ervas (a que tiveres em casa), azeite de oliva e, se curtir, uma mostarda escura (dedo meu) e tá feita a homenagem a Baco!

Para acompanhar um bom vinho tinto encorpado é uma boa pedida. Mas atualmente ando transitando em cervejas que fazem uma opção às difundidas lagers que vemos no mercado: apreciar uma Porter, uma Stout (cervejas escuras) ou ainda uma Strong Golden Ale (avermelhada, de sabor marcante) com esse prato é simplesmente divino!

Ou, claro, já que o prato é irlandês, fazer acompanhar por uma legítima cerveja irlandesa: Guinesse - ou a Murphy, para ficar em dois exemplos.

As Eisenbahn e Opa, disponíveis no mercado, oferecem essas opções. Sim, sai bem mais caro, mas tu DEGUSTA a cerveja!

Bom, eis a minha versão do Coddle, para duas pessoas comerem um prato bem servido (cada uma, logicamente):

- 400 g de linguiça de porto defumado (tem nos súperes, mas vai no Mercado Público);
- 400 g de batatas brancas (eu faço com aquelas redondinhas, pequenas);
- 5 (ou quantos lhe aprouver) dentes de alho inteiros e com casca;
- 1 cebola média bem picada;
- azeite de oliva;
- ervas.

Modo de fazer? Ah sim, lava bem as batatas, corta em quatro pedaços e joga numa panela muito quente com o óleo, a cebola e os dentes de alho (com casca e tudo)! Refoga tudo sempre mexendo para não grudar. A linguiça tu corta em fatias grosseiras (algo como dois ou três centímetros) e larga dentro. E vai mexendo, cuidando para não grudar. A rigor, não vai precisar de água.
Quando a batata estiver toda cozida, no ponto, tá pronta a brincadeira. Dispõe o misturado num prato, larga filetes de óleo em cima e salpica as ervas desidratadas em cima (inclusive na borda do prato para decorar).

E te refestela!

Depois me conta!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Breve neste cinema...

Feliz, mas cansado. O que me lembra uma frase do Oswaldo Montenegro dita numa entrevista em que ele afirmava que continua sendo tão feliz quanto quando era criança. Só que agora dava um trabalho...

É assim, e que assim seja. Estou voltando. Preciso escrever.

Em breve.

domingo, 22 de maio de 2011

Imagens de hoje

Totalmente ausente, mas atento ao que acontece em volta:


O antes, e o agora (na sexta, 20 de maio). As paredes já estão sendo levantadas, a coisa vai acontecendo. Mas é só o começo.


Já Helena curtiu o Disney on Ice no Gigantinho, nesse sábado, 21 - no mesmo dia em que eu e Raquel completamos 18 anos juntos:


E era isso, por enquanto. Atualmente, imagens valem mais do que as palavras - ou apenas dizem mais!

terça-feira, 29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Copa no canteiro de obras

Alguém me explica uma coisa, pois acho que sou muito burro e não consigo entender.

Está sendo lançado o projeto do metrô para Porto Alegre. Parte da Esquina Democrática, desce até a Voluntários, segue até a Cairú, vai por toda a Assis Brasil e no Triângulo se torna elevado até a Fiergs.

Muito bem, ótimo, lindo, maravilhoso.

Só que em três anos teremos um GRANDE CANTEIRO DE OBRAS em Porto Alegre. E Copa do Mundo???

Evidente que não ouso dizer que o metrô possa atrapalhar a Copa. Entre os dois, a Copa cai fora.

Ou vão esperar três anos para iniciar as obras?

O Trensurb, que foi feito SOBRE OS TRILHOS DO TREM, levou cinco anos para ficar pronto a partir do momento em que as obras começaram (1980-1985), mas lembro que desde 1977 eu via gente fazendo medições por ali - era meu caminho para o colégio.

Quero só ver.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Líbia, ontem e hoje


Essa poesia escrevi em 1986, aos 16 anos. Não me lembro se eu sabia que Líbia era banhada pelo Mediterrâneo - provável que tenha olhado um atlas na época, no agora me certifiquei no Google Mapas, onde podemos ver a foto do satélite.

São os tempos: o modo de consulta mudou, mas os fatos parecem ser os mesmos. Kadafi pelo menos é, ou quase isso: já não é mais amiguinho dos estadunidenses!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Bafômetros, provas contra si e celulares

O cerco aos motoristas segue: a notícia da hora é a aprovação pelo CENATRAN da obrigatoriedade de submissão ao teste do etilômetro.

Em outras palavras: o motorista que cair em blitze e a ele for requerida a utilização do chamado "bafômetro", está COAGIDO a se submeter ao teste, sob pena de lhe ser aplicada multa de quase mil mangos, além da retenção da carteira por 24 h, e do automóvel, até que motorista habilitado que passe no "bafômetro" se apresente.

Perceba que ele está coagido, e não obrigado. Até porque não é possível obrigar, mas somente coagir sob pena de multa. É o que o CENATRAN fez.

A lei - e aí falo em lei em sentido estrito, dessa resolução administrativa que não pode contrariar a lei federal, o que dirá a Constituição - já permite que os agentes de fiscalização do trânsito constatem sinais de embriaguez do motorista que se recusa a prestar o exame - estando aí sujeito a apreensão da carteira, recolhimento do carro e procedimento administrativo que visará a mesma pesada multa MAIS a perda da licença para dirigir por um ano.

Se se faz o "bafômetro" e é acusado a presença de álcool no sangue além do permitido, o motorista comete CRIME e é preso em flagrante.

Portanto, temos três situações: na primeira, o condutor que não apresenta sinais de embriaguez e se recusa ao "bafômetro" - apenas multa; na segunda, mesmo se recusando ao teste, o agente constata a embriaguez, baseado nos elementos visuais - multa, apreensão de carteira e procedimento para suspensão do direito de dirigir; na terceira, embriaguez apurada pelo bafômetro - passa das lindes administrativas (que muito embora são aplicadas), e passa a se constituir crime, com prisão em flagrante.

O negócio é não beber. Se beber, não parecer que o fez - a jogada é a recusa de se submeter ao bafômetro, ficará apenas com a multa mas no outro dia poderá dirigir tranquilamente e não sofrerá nenhum tipo de processo administrativo.

O certo é que as pessoas continuam com seu direito constitucional de não serem obrigadas a produzir prova contra si, ao contrário do que a mídia vem propalando. Apenas essa recusa é sujeita a punição pecuniária - mas entre ter a carteira recolhida, suspensa ou preso em flagrante, dos males o menor.

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Tinha vontade de comentar o caso da advogada que foi pega em flagrante tentando passar 28 aparelhos celulares na penitenciária de Montenegro.

O caso me causa vergonha, e explica uma das tantas razões que não transito na área criminal. A meu ver, essa profissional pode ser expulsa dos quadros da OAB.

Agora, aqui entre nós: por que deixaram ela entrar com (1) pasta, (2) bolsa, (3) sacola, (4) mochila na área reservada à comunicação com os presos?

terça-feira, 15 de março de 2011

Apertem os cintos, o motorista fugiu!

Os acontecimentos recentes em Porto Alegre - e digo Porto Alegre porque há acontecimentos MAIS recentes e MAIS graves dos que eu vou citar aqui, sem dúvida o tsunami e terremoto no Japão e o alagamento em São Lourenço do Sul - colocam mais uma vez em cheque os motoristas de veículos automotores de Porto Alegre.

Primeiro foi o lunático que fez um "strike" nos ciclistas na José do Patrocínio; depois, com a mídia já dando maior destaque e importância a esse fato, pelo menos mais três ciclistas foram atropelados na cidade. No caso do sr. Neis, atribui-se a distúrbios de comportamento; no último caso, seria um foragido do sistema penitenciário; em nenhum deles, anuncia-se, são as pessoas ditas "normais", ou seja, dá a impressão de que não é comigo, nem contigo nem com os nossos, pois não somos loucos tampouco irmãos Metralhas.

Mas aí é que nos enganamos, sempre com aquela visão de que as coisas acontecem com os outros. Já me envolvi em atropelamento em Porto Alegre e não é nada agradável para nenhuma das partes, posso afirmar isso. No meu caso, felizmente não teve maiores consequências, a não ser o fato dos atropelados - seriam dois - estarem na justiça pleiteando indenizações na casa da centena de milhares de reais.

Aqui parto para o contra-senso, a visão que foge da ideia comum. Nos compadecemos dos atropelados como únicas vítimas do evento, repousando sobre ela toda a virtude. Ciclista ganhou um estatus de intocável: pode transitar nas vias urbanas sem cumprir qualquer legislação de trânsito, mas ai de quem encostar em sua excelência o ciclista - tudo porque direcionou-se toda a responsabilidade para o motorista do carro (e do caminhão, e do ônibus). Até motociclista, com suas imprudências à direita dos veículos, estão protegidos pela virtude da hipossuficiência - embora esses possam ser multados, ao contrário dos ciclistas e pedestres que podem cometer os maiores desatinos no meio do trânsito que serão, no máximo, vítimas.

E o pensamento, através dos fatos que passam a ser distorcidos, passa a ser extremamente maniqueísta!Tanto que os recentes atropeladores têm distúrbios de conduta ou são foragidos do sistema prisional!

Embora a cidade necessite de espaço para os ciclistas, não é aí que está toda a virtude. A vida real, ao contrário dos filmes de John Wayne, não tem, necessariamente, bandidos e mocinhos. Sempre ver todos os lados de uma mesma situação, sem definições pré-concebidas, é o princípio básico de uma sociedade justa.

Algo para se pensar, sempre.

domingo, 13 de março de 2011

Livros de tribunais

"O primeiro ano - como se faz um advogado" (The One L) foi o primeiro livro publicado pelo advogado e escritor norte-americano Scott Turrow - abrindo caminho para outros livros seus de sucesso como "O ônus da prova" e "Acima de qualquer suspeita", este levado às telas tendo como estrela Harrison Ford.

Lançado em 1977, é um misto de seu diário revelando seus primeiros passos na festejada faculdade de Direito de Harvard, na cidade de Cambridge, Massachussets. Turrow ingressou no curso em setembro de 1975, para sair três anos depois, tempo de duração do curso.

O relato impressiona pela forma como os estudantes estreantes - os "1L" (one level, primeiro nível) - são jogados à jaula das feras: aulas pelo método socrático em que os professores massacram os alunos com todo o tipo de pergunta sobre a causa em estudo. Como o direito é nos Estados Unidos, o aprendizado ali também é consetuedinário. Traduzindo: o direito se faz através do estudo de causas. Não há milhões de leis para regrar a vida, como no nosso direito. Tanto é que a Constituição deles tem, se não me engano, apenas sete artigos (contra mais de trezentos da nossa). Sim, lá também há as emendas!

Comprei esse livro lá por 1991, quando andava perdido no meu curso na PUC - entrei em 1988, saí em 1995, para se ter uma idéia do perdido. Por muitos anos quis escrever o mesmo, mas não encontrava o fascínio no meu dia-a-dia na faculdade sequer parecido com o narrado por Turrow - que, evidentemente, alterou nomes, misturou personalidades e sem dúvida nenhuma agregou elementos de ficção - talvez aí a chave para a coisa funcionar. Mas e a criatividade e inspiração.

Poderia fazer algo parecido. No caminho aberto por Turrow, Jonh Grisham com menos talento mas mais proficuidade, publicou inúmeros livros sobre o universo jurídico, e ganhou milhões vendendo seus direitos para Hollywood - Dossiê Pelicano, O Homem que Fazia Chover, A Firma, dentre outros. Um de seus últimos, "O Recurso", é uma forte crítica ao sistema judiciário norte-americano.

Existem algumas publicações sobre o mundo jurídico no Brasil. Não muita coisa. Aqui no sul um saudoso jurista de Cachoeira do Sul publicou "Por que acredito em lobisomens", um relato de impressionante imbróglio jurídico envolvendo o espólio deixado por uma senhora que teve contornos imprevisíveis e desfecho lamentável, fazendo o autor acreditar até em lobisomen.

Pensei várias vezes em me aventurar por essa seara. Quem sabe não está aí a chance de se divertir escrevendo e faturar uns reais? Será que as histórias de tribunais tupiniquim pegam? "Causos" não faltam!

Mas não existem "best-sellers" na linha de Turrow e Grisham. Pensei diversas vezes em preecher essa lacuna. Quem sabe um dia.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pela passagem de um grande amor

Hoje penso novamente em me dividir

em deixar de existir
em não-insistir
sequer deixar acontecer.

Hoje me sinto perdido,
humanamente só
erradamente confuso
jurando promessas,
pagando pecados
ainda por se cometer.

Reavalio sentimentos
pondero, peso
e tudo é muito incerto:
só falta te dizer mais uma vez
adeus e não partir como sempre
senão de volta - tudo de novo
se mistura, confunde e
não acontece.

Sinto te querer
sinto perder, cometer
todos os erros
Não será possível
uma vez mais
insistir e desistir
porque não admito trair
ou te deixar se preciso de ti.

Queria (enfim) encerrar
dar uma resposta
te dizer não te quero mais
por não poder
Mas não posso deixar
de te querer
e de precisar viver (sempre)
ao teu lado.

Poesia escrita para Raquel em 17.09.96, num momento de incerteza. Mas hoje, depois de 18 anos de convivência, essas incertezas foram apenas o registro de um tempo passado, muito passado, quando ainda éramos "apenas" noivos e estávamos "apenas" há três anos juntos!

Feliz aniversário, meu amor!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Saudade é saudade mesmo...

O vinte de fevereiro é uma data que vou lembrar para sempre, não há como esquecer: Paulo Peres, meu saudoso padrinho, tio, colega e amigo, há seis anos partia para sua viagem derradeira.

Poucas pessoas se tornaram tão míticas, ainda em vida, pelas histórias que me eram contadas. São tantas, nem sempre elogiosas, qaue se tornaram mitos de verdades inesquecíveis.

Entre minhas irmãs, havia a branca inveja do padrinho mais "presentoso". Embora muitas vezes distante, eu era o afilhado mais agraciado pelos arroubos de meu padrinho, principalmente quando este destilava sua megalomania incomparável. Nessas, ganhei diversos presentes. Dentre eles, sempre lembro de meu primeiro relógio, de um piston de brinquedo (diz minha mãe que a cara que fiz na hora não foi lá grande coisa) e um fusquinha bate-volta dos bombeiros, vermelho.

Isso sem falar nas incontáveis vezes que, ao nos visitar, deixava à saída em minha mão alguns trocados que igualmente variavam conforme suas oscilações de humor!

Por igual, o curso de inglês em 1986, que me permitiu frequentar o Instituto Cultural, algo proibitivo para nossa condição financeira da época - aliado a uma mesada de quase um salário-mínimo, uma fortuna para quem nunca tinha tido seu próprio dinheiro.

São pequenas histórias de uma infância-adolescência dentre tantas outras. O que seria apenas um tio, se tornou padrinho, se tornou colega mas acima de tudo e sempre: amigo.

Foi o padrinho que todos gostariam de ter, e eu tive. Os momentos em que ele esteve ausente, por questões suas, só temperavam a saudade. Assim como essa que bate agora, incomparável e interminável. E só mesmo um outro Peres poderia não-definir a saudade, também saudoso entre nós: "quem define saudade, fala a esmo. Saudade não se define: saudade é saudade mesmo" (Glênio Peres).

Mas a certas pessoas só temos a agradecer por ter existido! E hoje falei de duas delas!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A luta continua

Não foi dessa vez que me tornei servidor público dignamente remunerado. Caí na arapuca do concurso, em parte pelo pouco tempo de preparação, em parte pelo pouco tempo para realizar a prova, em parte pelo azar de não cair o que eu sabia - segundo meus levantamentos, em cerca de 30 % da matéria eu estava muito bem preparado.

A vida segue sendo vivida - em meio à noticia do resultado do concurso, uma mudança sendo feita, instalações elétricas, novas fechaduras, NET, audiências fartamente concentradas nessa semana, todos os clientes querendo saber tudo de seus processos, todo mundo querendo dinheiro, grana, pila, bufunfa, capim, cabral.

Meus planos imediatos é seguir em frente. Como estou com os olhos lá no adiante, para daqui uns vinte anos, não desisti dos concursos: seguirei fazendo um aqui e outro ali, estudando, procurando me aprimorar, sempre com um olho no livro e outro no caixa. As contas seguem reclamando serem pagas mensalmente.

É isso, por enquanto. Como se fosse pouco.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

48 horas

Jã se vão quatorze dias deste 2011, e somente agora consigo parar para pensar e escrever - mesmo que seja qualquer coisa, é preciso um mínimo de concentração na coisa.

De outubro para cá as coisas andaram mais dinâmicas. Priorizei as aulas do curso preparatório e muitas horas de estudo, tanto em casa quanto no escritório. No olho do furacão, sei que não foi suficiente, mas isso é aquela autocrítica indispensável: sempre podemos mais.

Não sei se conseguirei, e na dúvida está o exato tesão de viver. Faltam 48 horas, e tantas coisas não sei. Mas algumas tantas descobri, e é exatamente essa arma que tenho a meu favor. Vai depender, todavia, do que me perguntarem na hora da verdade.

A "solidão da prova" é a expressão mais exata que ouvi nesses três meses de preparação. Ali, a partir das 9h do domingo, e até as 13h, estarei numa tarefa solitária de desvendar os mistérios de um concurso. A necessidade de ser aprovado (acertar 60 % das questões) e me classificar (figurar entre os 200 primeiros).

São 3.200 concorrentes, na sua maciça maioria despreparados. Mas não são eles que me preocupam - ninguém pode me impedir do que eu quero. Apenas minhas limitações.

Será apenas o primeiro passo que, se vencido, exigirá outros tão ou mais difíceis. Estou preparado para a guerra e seu resultado. Tenho a consciência de que fiz o que minhas forças permitiram. Poderia mais? Poderia. Mas aí é o limite do possível e a superação. Não me superei, estive no limite do possível. Vou tranquilo, aceitando o destino que me impus!

Alea jacta est!

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