domingo, 31 de janeiro de 2010

Fora Silas!

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Nem todas as mães do mundo

Carregamos em nós todas as mães do mundo! Já diz o ditado que todas são iguais, só mudam o endereço - e na adolescência temos quatro, cinco ou seis mães, dependendo do número de amigos que formam nosso núcleo mais fiel - éramos mandados por todas!

Depois a gente cresce, e a relação fica mais ou menos assim: a mãe manda cada vez mais, a gente obedece cada vez menos. Até o momento em que partimos em busca de novas aventuras, abandonando a roupa lavada, dobrada, cuidada, o almoço e a janta feitos, tendo que comprar um despertador pois não tem mais quem nos acorde.

Não tem mais quem cuide de nós - é por isso que nos casamos, eu acho!

Enfim: a partir da vida adulta independente - financeira e fisicamente - a mãe da gente vira uma espécie de figura sagrada cujo nome não deve ser mencionado em vão. Luiz Fernando Veríssimo costuma dizer que se mede o grau de intimidade de duas pessoas pelas ofensas que se faz à mãe recíproca: "Como vai a vagabunda da tua mãe?" "Trabalhando no mesmo bordel que a tua", responde o outro. Sem dúvida são grandes amigos!

Notem bem, não são palavras minhas, são do Veríssimo (e essa sim, é dele, ao contrário de muita baboseira que anda por aí sendo divulgada como dele na internet). Enfim, o homem falou, tá falado.

Mas todo o resto deve guardar uma reverência à mãe alheia - mãe, avó, bisavó. Engraçado que pai não goza desse privilégio, deve ser algo puro exclusivo às mães para merecerem esse louvor, embora o ato que nos gera não tem nada de muito puro!

Enfim: há quem, por conta disso, valorize o dia das mães, uma data tão comercial, lá no segundo domingo de maio que por desgraça do destino vez em quando cai no meu aniversário, fazer o quê? Claro que o "do contra" aqui tem que fazer diferente.

Hoje, 30 de janeiro, é o meu dia das mães! Parabéns, dona Irene, em sua versão 7.2! Beijos do filho que te ama!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Adivinha um número par entre um e dois

Tão difícil quanto fazer a "adivinhação" do título da crônica é prever o "Avatar" de James Cameron.

Eu já anunciara que iria ver o filme tão somente pela curiosidade pela tecnologia 3D - e sinceramente, nem a tecnologia me empolgou tanto. Claro, é legal aquelas coisas parece que ao alcance da mão, toda a noção de profundidade que a terceira dimensão dá! Evidente.

Mas nota-se que é uma técnica que ainda deverá evoluir muito, e daqui a alguns anos estaremos dizendo "bah, lembra que tosco o 3D de "Avatar"?

Sobre o filme, mais previsível impossível. Quem se encanta pela história provavelmente nunca foi ao cinema na vida, tampouco assistiu filmes na tevê: o herói que precisa de um ressignificado, uma paixão aparentemente impossível, o comandante sem escrúpulos, o nativo que resiste à chegada do novato mas depois viram amigos, e por aí vai. Nada do que está ali é novo, e tenho certeza que nem pretenda ser.

Sendo o tipo do filme que andava riscado das minhas preferências, acabei cedendo em função da tecnologia 3D. Em película normal, é um filme sem nenhum atrativo, a não ser efeitos especiais!

Tendo superado o outro Cameron/Titanic em bilheteria, resta concluir que a galera adora efeitos especiais!

Sem considerar aquela questão de que muitos nem sabem por que vão assistir: o fazem porque tá todo mundo indo!

Voltemos ao cinema alternativo e o europeu!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Seriados

Sou um confesso apreciador dos seriados americanos - coisa que aqui na aldeia se tenta, se tenta, se tenta e não se consegue sair do modelo caricato de A Grande Família!

Minha grande crítica às "sitcoms" brasileiras é a banalização da graça: os roteiristas passam do pressuposto que a cada segundo os personagens devem soltar piadas irrestivelmente engraçadas. E como é Globo, muito preocupada principalmente com as classes A e D (pra B e pra C ela está se lixando), as piadas tem que ser óbvias e fácil entendimento.

Outro fator que me cansa na comédia de costumes brasileira é o esteriótipo dos personagens: são imbecis elevados à enésima potência, tipos irreais, reféns de modelos como Zorra Total, por exemplo - o humorista do momento, Leandro Hassum, pode ser engraçadíssimo no teatro, mas na tevê é lamentável nos seus exageros. Mas faz sucesso, o que não me surpreende quando há quem ache engraçado o histriônico Jim Carrey!

Os seriados americados, as sitcoms no caso, não são produzidas por redes abertas de tevê, em geral. Selecionam melhor o seu público, e mesmo dentro delas há o esteriótipo que falo: nada mais banal na comédia americana que ridicularizar o homem médio: vide "Os Flinstones" e melhor ainda "Os Simpsons".

Agora pegue um exemplo de uma sitcom como Friends: feita para rir, mesmo assim ela tem seus momentos de tensão, de tristeza, de desençace de tramas - seria impossível manter o humor inteligente por 23 minutos ininterruptos no ar e por dez anos - claro que, opinião minha, a série caiu muito de qualidade a partir da 5ª temporada!

Até mesmo "Seinfeld", precursora no modelo ("comédia sobre coisa nenhuma") não pretendia manter, "full time" o riso frouxo na barriga do espectador. É preciso do tempo de respirar para continuar gargalhando!

Brasileiro é bom no dramalhão da novela, embora há muito que eu tenha abandonado o modelo. Vou assistindo a House, , Two and Half Men (que já apresenta sérios sinais de esgotamento do modelo), revendo Friends, e até mesmo a "Vampire Diaries" - fazer o que, se gosto de história de vampiro?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fadas no mundo real

As fadas habitam nosso imaginário e são recorrentes nas fábulas infantis. Fadas-madrinhas, fadas do dente, fadas nos sonhos bons: todas povoando nossos desejos e delírios por um mundo colorido de fantasias.

Pois a fada-do-dente, aquela que troca os dentes de leite por moedinhas, passou aqui por casa novamente, depois de trinta e muitos anos: eis que Helena perdeu seu primeiro dentinho e lá está, embaixo do travesseiro, aguardando a chegada da fada para o escambo que povoa seu imaginário!

Nesta manhã foi a primeira coisa que ela fez, conferir embaixo do travesseiro: lá estavam todos os sonhos e lendas que a transportarão para o mundo do faz-de-conta, aquele estágio da primeira fase da vida pelo qual todos nós temos que passar.

Mundo dos sonhos, onde habitam pessoas reais! De lá somos, para lá vamos, de onde viemos - filosofias vãs que a doçura de uma criança de cinco anos nem tenta perceber: espera ávida por sua moeda, e ela está certa, não é mesmo?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pássaros de vidro ou triângulo amoroso?

Tempos desses escrevi sobre um filme que assisti no "Telecine Pipoca", visto ao acaso já que estava ali começando, e achei que por ser "pipoca" seria algo fácil de deglutir com pipoca (o filme era "A Garota Morta"). Não foi nada fácil, por isso que protestei por aqui algo como "pipoca o caramba!"!

Pois outro dia passei novamente pela experiência de pegar um filme que estava começando ao acaso, desta vez no "Telecine Light". Despretensioso, com atores emergentes, rendeu boa diversão.

Em "Triângulo Amoroso" ("The Third Wheel"), Luke Wilson vive Stanley, um cara atrapalhado que nutre uma paixão platônica por Diana (Denise Richards), sua colega de trabalho. Toda a empresa sabe da paixão dele e torcem pelo seu sucesso quando, finalmente, ele a convida para sair. Os colegas de empresa, capitaneados pelo amigo MIke (Ben Affleck), chegam a organizar um "book make" para apostar o que vai rolar no encontro.

Mas Stanley é atrapalhado e azarado: vai ao que chamara de encontro casual de terno. Compra flores para a bela Diana quando ela diz que nunca recebeu apenas uma única rosa. E, para completar e onde realmente começa os problemas de Stanley, ele atropela Phill (o impagável Jay Lacopo, roteirista do filme), um sem-teto que carrega num saco seus pássaros de vidro, única ligação com uma provável paixão chamada Laura.

A noite segue um roteiro insólito, pois a cada tentativa de Stanley se livrar de Phil, algo acontece e os três permanecem juntos - Diana acaba compaixando-se do sem-teto.

O filme surpreende porque despretensioso. Com protagonistas como Wilson e Denise, dois emergentes de Hollywood que ainda não emplacaram, Jay Lacopo como roteirista rouba o filme no papel do surpreendente Phil. Não é à toa que pegou o personagem para si.

Matt Damon, ausente dos créditos, faz uma ponta como o ex-namorado de Diana - numa sequência com mais uma participação hilária de Phil.

Desconhecido do grande público, Lacopo tem participações sem maiores relevâncias em poucos filmes, além de figurar exatamente como roteirista em outros. "The Third Wheel", que é de 2002, o tornou um pouco mais conhecido. Não muito. Está de volta às telas em "Turning It Over", em fase de pós-produção, escrito, dirigido e protagonizado por Josh Marchette, seu parceiro em "Crossing Cord", curta de 2001 sem versão no Brasil.

Sem Phil/Lacopo, entretanto, não há triângulo amoroso, nem pássaros de vidro. O filme não existiria somente pelas trapalhadas de Stanley e a beleza de Diana. Não mesmo!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobrevivência

Impressiona a imagem do Kadett destruído em acidente nesta madrugada na Bento Gonçalves. Quatro jovens a bordo daquilo que se tornou um bólido terrestres, duas fatalmente vitimadas (as do banco da frente) e duas em estado grave no hospital.

As vitimas teriam saído da comemoração de aniversário de uma delas, e encontraram a fatalidade num poste da Bento Gonçalves que, com o impacto do choque, partiu o carro ao meio. Não se sabe se há álcool envolvido, mas sem dúvida uma velocidade que passou em muito da excessiva foi determinante para o resultado fatal.

E assim vão se somando mortes no trânsito, que não são aquelas inevitáveis decorrentes de doenças diagnosticadas e que minam o organismo do doente, inobstante tratamentos intensivos e novas terapias medicamentosas. A morte no trânsito é evitável, pelo menos essas provenientes de tamanha brutalidade.

Não é necessário dirigir um carro a 150 Km/h dentro da cidade, de madrugada, após beber todas. Para quem gosta de velocidade, há etapas em Tarumã em que os desejosos de emoções possam se aventurar nas pistas. Não nas ruas. Não depois de uma festa. Não depois de tanta bebida!

Inobstante as campanhas na mídia e a maior consciência que as pessoas têm ou teriam que ter a respeito do tema, as mortes seguem acontecendo: na cidade, nas estradas, até mesmo nos acessos em estradas de chão onde dirigir acima de 60 Km/h sempre pode representar um risco.

É nosso dever diminuir nossos próprios riscos. Vivemos caminhando unicamente em direção à morte, mas ela pode e deve ser evitada - não é necessário fazer do carro um cano de 38 virado dentro de nossa boca!

Fatalidades acontecem, eu mesmo poderia ter morrido num acidente em que eu dirigia a 60 Km/h. É tudo uma questão de nossa cabeça bater no lugar errado e pronto! Dias Gomes morreu assim, numa singela colisão de trânsito em que a porta traseira do táxi em que ele se encontrava se abriu e sua cabeça encotnrou o asfalto! Estivesse de cinto e talvez estivesse por aí até hoje!

Mas cada vez mais jovens se entregam à aventura de arriscar suas próprias vidas, e as de quem cruzar seus caminhos ou estiver embarcados na mesma nave rumo à eternidade! Nas ruas e nas estradas o perigo se dissemina.

Não há outro remédio a não ser conscientizar. Se dessa verdadeira guerra no trânsito conseguimos salvar os próprios pescoços e os dos nossos, já é uma vitória.

Uma verdadeira sobrevivência!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"Almovatar"

Quarta passada eu ia assistir ao incensado "Avatar". Legendado, óbvio, em cópia 3D, maís óbvio ainda - com tal tecnologia, a cópia "normal" só se justifica após se assistir incluindo a terceira dimensão, ainda que virtualmente.

Mas quarta-feira, ingresso mais barato, sessão esgotada. Após rápida análise, acabei escolhendo "Abraços Partidos", último filme de Almodóvar que vem dividindo críticas entusiastas e outras nem tanto assim.

Na Bravo On Line, o jornalista Paulo Nogueira exulta o melhor Almodóvar que descreve a figura do macho acima das recorrentes mulheres - a quem interessar possa, http://bravonline.abril.com.br/conteudo/cinema/abracos-partidos-alma-masculina-almodovar-510425.shtml. Outros críticos também foram generosos na análise profunda em um filme que, ao meu ver, não foi tão profundo assim. Foi previsível. Almodóvar repetiu-se, através de um roteiro que seria linear se não fosse pelo corte de tempo - mas sem surpresas.

Não que o filme seja ruim: fica difícil classificar qualquer Almodóvar como ruim, por menos Almodóvar que seja. Luiz Homar e Penelope Cruz tiveram uma química inventada (a cena de sexo inicial ainda é a melhor da trama). Não conseguiu ser denso como em "Volver", seu então mais recente filme, ou instigante como em "Tudo sobre minha mãe", de longe sua melhor obra.

Vale a pena, se as expectativas são menores - e de fato as minhas eram. Esperar demais é se decepcionar e aí comete-se o risco de ser injusto ao dizer que "Abraços Partidos" é um filme ruim!

Ainda mais quando a mente estava programada para ver "Avatar"!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Vinte e oito anos sem Elis

Elis Regina completaria 65 anos no dia 17 de março deste ano. Causa dor e espanto pensar que ela nos deixou há exatos 28 anos - faleceu muito jovem, aos 36 anos de idade, vítima de uma provável overdose de cocaína.

Que mistérios levaram a Pimentinha a buscar o refúgio no álcool e nas drogas, embora previsíveis, foram juntos com ela. Aliás, pouco importa por que se foi, se muito mais importante foi o que deixou.

Uma bela herança à MPB, em seus 21 anos de carreira, foi o legado que nos foi atribuídos. Uma interpréte como poucas vezes a música brasileira viu, com memoráveis interpretações a Belchior, Tom, Vinícius - este que lhe deu o apelido de Pimentinha!

Eu tinha apenas 11 anos quando Elis morreu, mas felizmente eu era uma criança provinda nos anos 1970 e recém adentrada nos anos 1980, ou seja, uma criança que ouvia e curtia MPB! Conheci Elis ainda muito mais depois de sua morte e não canso de escutar "Falso Brilhante", sua marca mais profunda!

Elis deixou saudades e aquele sabor da perda daquilo tudo que ainda poderia nos proporcionar. Não fosse vitimada pelo seu destino, e estaria senhora de si, ainda por aí, cantando e encantando.

Felizmente, sua voz fica para sempre. Afinal, como ela mesma cantou genialmente Bosco e Blanc, "a esperança equilibrista / sabe que o show de todo artista / tem que continuar..."

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O prazer da carne

Há muito que me filiei à corrente de que churrasco não é refeição! É lazer, terapia, festa, desculpa pra tomar cerveja gelada, seja o que for: não é refeição.

Existe aquela distinção entre o churrasco dos homens após o futebol e aquele organizado pela empresa em que todos levam suas mulheres e filhos. Enquanto no primeiro basta espeto, carvão, sal grosso, carne, uma faca e, obviamente, cerveja gelada, o segundo é bem mais complexo: pra começar exige pratos, talheres completos, salada, maionese, refrigerantes, sobremesa. É um trabalho hercúleo.


Churrasco não se come: se degusta. Churrasco não se senta à mesa: se belisca as lascas que vão sendo servidas. Toma-se muita cerveja, e não se deve ter maiores preocupações ecológicas ou politicamente corretas. Há uma única regra: divertir-se.

Churrasco não tem hora: querer servir a carne ao meio-dia é meio não ter o que fazer – e eu tenho, que é ficar comendo churrasco o dia inteiro. À noite? Mas vamos lá! Se até churrasco de madrugada já fiz!

Almoço é outra coisa, aquela formalidade de pratos na mesa, lugares determinados – vovó sentá lá, titia acolá, o cunhado furão naquele lugar, o novo amigo da prima solteira etc. Isso só para exemplificar: a vovó, a titia, o cunhado e a prima são ficcionais, são os dos outros, não os meus (é bom para eu não me comprometer!).

À mesa do almoço não se diverte, mas se come – no sentido de se alimentar: grupos alimentares, pirâmide, todos os grupos representados. Quer algo mais chato que um churrasco nutricionalmente bem balanceado? Isso não existe! Churrasco tem que ter costela (com alguma gordura, há quem prefira bastante), um bom vazio. Tá bom, para os acariocados, picanha, maminha, mas aí o meu churrasco já tá ficando fresco demais.

Ah sim, esqueci de falar: esse é o meu churrasco. Faça o seu – e me convide, prometo que não dou palpite!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Haiti não é aqui

A obviedade do título da crônica de hoje chega a ser quase obrigatória. Quando ouvi pela primeira vez as notícias do ocorrido na ilha caribenha, ontem à noite, veio-me de pronto a melodia da música que - penso ser - do Caetano Veloso (que atualmente vê poesia no axé music, será que além de velho virou gagá?).

E sempre que há notícias de terremotos em grau x na Escala Richter (o de ontem, o maior, foi de 7 num máximo de 9), também lembro que, pelo menos em larga escala, não há terremotos no Brasil, o que sempre dá aquele orgulho ufanista de ser brasileiro - e isso não é competência, mas sorte de estarmos sob formações rochosas inadequadas para esses eventos.

Ouvi que há anos a Califórnia espera pelo "Big One", que é dado como o provável grande tremor capaz de aniquilar a costa oeste dos Estados Unidos. Como se prepara a maior nação do mundo para isso? E o Japão, também vítima de inúmeros tremores? São as mais altas potências mundiais temendo pelo destempero do planeta que não há como evitar, sendo possível apenas a preparação para se trabalhar sobre os escombros.

Mas e o Haiti, a mais paupérrima nação das Américas, vítima desse e de outros terremotos danosos e também dos desmandos de Papa Doc e Baby Doc nos tempos passados? Já era necessária a intervenção da ONU, tendo o Brasil à frente, para se garantir a paz!

O mundo agora volta os olhos para o Haiti, que não é aqui: está em toda parte!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Parece mas não é

Pode até parecer férias: início de ano, verão, essas coisas que induzem o ócio, muitas vezes premeditado. Mas não é. É trabalho mesmo, incomum para essa largada de ano, mas fazer o que se as pessoas decidiram procurar resolver seus problemas de imediato?

Resoluções de fim de ano às vezes funcionam: "ano que vem vou processar aquele canalha"!

Estamos aí, para isso mesmo: como diz meu slogan, "em 2010 exerça sua cidadania processando alguém".

***

Futebol: parece animador o início de ano do Grêmio, principalmente em função das novidades do meio para frente. Tcheco saiu e com isso abriu-se vaga para um novo conceito na articulação. Há as viúvas do jogador, mas desde muito estou convencido que a relação custo-benefício de longe explica essa saída, que passa a ser um problema do Corinthians.

Já o Inter anda nesse blá-blá-blá do Sandro ir ou não para o Tottenham, o D'Alessandro ser fundamental para a Libertadores - dentro da mentalidade que tem que ter argentino marrento no time - Giuliano sendo tratado como o craque que ninguém sabe mesmo se é, Andrezinho nesse fica-não-fica mas cansado de ser o 12º jogador, Renan voltando por conta de dívida do Valência com o Inter, e como falta assunto no início do ano, as tragadas do Fossati. Vai saber!

***

Estou me rendendo e devo assistir, nos próximos dias, a "Avatar", em 3D e tudo. Depois eu digo se as superproduções hollywoodianas ainda se salvam ou se retorno ao meu boicote. Também quero ver "Coco antes de Channel", com bem mais chances de me agradar. Vejamos, pois.

***

Começa o BBB10. Nem pela falta de assunto perco meu tempo com isso, a não ser ler nos jornais as manchetes: "fulano está no paredão", "ciclano é o anjo" e por aí vai. Depois se vê tudo nas páginas da Playboy.

***

Era isso: eu estava sem tempo nem inspiração para escrever. Parecia, mas não era.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Longe dos pagos...

Já ouvi de muita gente que o bom mesmo é ser europeu, ou ao menos morar por lá! Que lá é primeiro mundo e que não tem as frescuras daqui.

Um grande amigo, inclusive, que morou vários anos no exterior e de lá tem muitas saudades, volta e meia me municia com argumentos que deveriam ser pró-exterior mas acabam sendo contra. Por exemplo: nos Pub's londrinos não há comanda! O "bar" é o balcão no fundo do pub onde se servem as cervejas. Tu te levanta da tua mesa, vai até o balcão, pede uma bem gelada e paga! Sem essa de comanda! Como viver sem comanda e sua ilegal frase "na perda desta pagará a quantia de duzentos mangos"?

Existem culturas diferentes e é por isso que uma coisa é tão longe da outra. Tudo bem, estou simplificando. Mas vá morar no exterior e comer carne como comemos por aqui! Vá espetar esse costelão da foto lá no velho continente! Claro, se vocês que estiver lendo for vegetário, tudo bem, vive sem. Eu não sei se vivo e, sinceramente, nem quero descobrir.

Ah, a ignorância!


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Cãntico, de Sérgio Napp

Essa fabulosa crônica de Sérgio Napp, extraída da coletânea "Prêmio Apesul de Literatura", promovido pelo Instituto Estatual do Livro/Secretaria da Cultura, Desporto e Turismo, em 1979, que divido com vocês hoje:

Quisera ser assim: livre.

E então te levaria, na palma da minha mão, nos rumos da estrela-guia, a conhecer magias e paisagens dos campos do bem querer. E o meu riso seria claro e límpido. E não haveria limites nem horizontes que nos guardassem. E te mostraria a rota de todas as estrelas e conheceríamos o percurso de todos os mares. E se acaso encontrássemos o final do arco-íris, não nos prenderia o ouro do pote - nossos olhos, sim, se renovariam em suas cores. E eu te cobriria de sonhos.

Quisera ser assim: decidido.

E eu te indicaria o caminho certo e não deixaria, em ti, dúvidas sobre o nosso destino. E em cada encruzilhada minha voz soaria clara e definid: essa é a direção, por aqui encontraremos uma clareira onde a grama é macia, as águas claras, a sombra amiga - faremos ali a nossa paz. E eu te revelaria para onde segue o vento do outono, o que acontece com o sol da meia noite, os mistérios que cercam o amanhecer. Eu saberia o tempo exato dos gestos, o momento preciso das palavras. E eu te cobriria de certezas.

Quisera ser assim: seguro.

Terias então, os meios para acalmar os temores e os receios que rondam tuas noites. Te ensinaria a olhar de frente e para dentro de ti e te faria descobrir o que há além do que nos cerca. E este conhecimento seria a armadura a nos proteger dos medos que nos assaltam quando as luzes todas parecem apagar-se e não se distingue nem um raio de madrugada. E os meus braços seriam o forte onde repousarias os teus cansaços. E a minha voz seria o som a te despertar para a vida. E eu te cobriria de mansidão.

Mas não sou assim - sou apenas tímido e fraco como todos os outros.

E é por isso que me encontras limitado pela minha insegurança, indeciso a tatear frases que me transfiram para ti.

É certo que muitas vezes te faço alegre com minha alegria e o meu beijo tem a mornura suficiente para te aquecer.

Mas não é tudo.

Há momentos - esses são os mais dolorosos - em que me procuras amargurada e eu me mostro também carente e amargo, sem condições de te dar a segurança e o apoio que necessitas.

E o que faço a não ser oferecer-te o meu ombro e chorar contigo?

Dizes ser o bastante.

Talvez para ti - não para mim, pois acho insuportável o teu sofrimento e, se pudesse, haveria somente riso em teus olhos, cantos em tua boca.

Me aceitas como sou, mas eu queria ser diverso e muito mais.

E esta impotência me dói e a impossibilidade de ser o porto seguro onde descansarias de tuas longas travessias me desarma.

Por isso me vês assim - um riso breve, um gesto frouxo, frases banais e, ao mesmo tempo, um desejo muito grande, intenso, sofrido de ternura e afeto. De busca e de entrega.

E eu me divido. Pois metade de mim anseia por voar, correr, gritar e a outra metade me conserva preso aos valores que me impuseram desde cedo. Valores cujos pesos e medidas não entendo. Dos quais, entretanto, não consigo me libertar.

Me agrides e me causas dor- mas sei que tua agressão é o fruto das pressões que também sofres e eu sou o estuário que encontras à mão - e me agrada o fato: sempre é uma maneira de te possuir.

Me querias forte, eu sei e não sou; me querias rochedo, couraça para tuas fraquezas e eu sou planície onde apenas podes descansá-las; me querias fortaleza e sou nada mais que abrigo onde consegues, às vezes, te aquecer quando necessário.

Sou o que sou: homem e limitado.

Me perdoa.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

As cobras no jardim

"Soltaram as cobras no jardim. A verdade anunciou-se
telepaticamente, eco de nosso medo coletivo."
(Sansdes, via messenger)

Um arrepio, foi como tudo aparentemente começou. Ele olhou rapidamente no lá-fora, anoitecia, e coisas estranhas aconteciam no jardim. Chegou até à cozinha, onde Gisa preparava os legumes para o jantar, abriu a geladeira casualmente como quem procura além dos congelados: de novo ficariam presos em casa na sexta à noite.

Mas nem tudo era prisão na casa: havia as horas sem limite em que ficavam buscando verdades perdidas em álbuns de família.

Havia os molhos apimentados.

Havia o tesouro na biblioteca coberta de livros.

Havia os jogos no computador.

Havia os beijos não dados.

Tudo era real mas imaginário o suficiente para que ambos existissem, apesar do exterior. A casa era o invólucro, mas também proteção, santuário. Não sairiam dali antes da manhã de sábado.

Mas até o sábado, as horas que demoram para passar. Por mais que se policiasse e por mais que Gisa o prevenisse, lá estava ele espiando pela janela, feito o passado no jardim. As cobras continuavam lá e de lá não sairiam.

Nesses dias, o telefone não tocava. A internet não funcionava. Na tevê, apenas filmes antigos. Nenhuma comunicação com o mundo externo.

Entre o corte dos legumes, a salada de frios preparada, o vinho sendo aberto: olhou nos olhos de Gisa, verdes, um profundo olhar - oblíquo.

Um olhar de cobra.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ciúmes

Há quem diga que o ciúme é o tempero para o relacionamento dar certo. Evidentemente, tudo aquilo que é demais faz mal. E nesse passo a escassez também pode produzir o mesmo efeito!

Há também quem fale que seria prova de amor: Ora, prova de amor... amor é um sentimento que é, ou deveria ser, altruísta. Se condicionamos uma coisa à outra é porque tem algo errado. E principalmente quando sinônimo de possessividade, insegurança ou desconfiança, é altamente nocivo. A cumplicidade é que é a grande "prova" do amor!

Mas e quando a pessoa não sente nenhum ciúme? É descaso, confiança incondicional ou descrédito sobre a outra pessoa?

São diversas questões que só me remetem a uma conclusão: quanto mais encucarmos sobre o ciúme, mais mal ele nos fará!

***

Já presenciei cenas ridículas de ciúme: fui visitar um amigo, encontrando sua esposa esperando o elevador no térreo do prédio onde moravam. Trocamos algumas idéias até que a porta se abriu: lá estava o meu amigo e, junto com ele, uma bela loira que morava um andar acima deles. Ele estava descendo para pôr o lixo na rua, esperamos que o fizesse e subimos todos juntos no elevador. No mais profundo silêncio.

Um silêncio constrangedor, eu percebia que a mulher rangia os dentes. Segurou-se até a entrada no apartamento, quando desfiou um rosário de queixas e acusações: de onde os dois vinham tão sorridentes, que ele era de sorrisos muito fáceis para a vizinha. Metralhou o cara, que tentava se defender em vão. Até que ele disse: "Tá, e tu e o Rodrigo, vinham da onde?"

Ele inverteu o jogo e a mulher ficou possessa. Foi nesse momento que descobri que era um bom momento para ir embora. Não notaram minha saída, entre acusações mútuas. "Absurdo desconfiar de mim", "não respeita nem meus amigos" e outras pérolas foram as últimas que ouvi, ainda no corredor, esperando o elevador.

O elevador desce, o ciúme sobe!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

De volta

Estou de volta, é o que posso dizer: chegando, verificando, tirando pós e poeiras, rediscutindo sentidos, retrabalhando e azeitando a máquina para que ela continue funcionando.

Que seja profícuo esse ano, em todos os sentidos!

Espero que amanhã volte os textos regulares.

p.s. Logo postarei a sequencia completa de fotos, por enquanto vai uma "palhinha" do costelão da virada:




E uma visão noturna (e holística) da coisa:


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz Ano-Novo e feliz aniversário

Costumamos acreditar que a vida se faz em ciclos e, por isso, a cada 365 dias (ou 366, nos bissextos), comemora-se a passagem do ano - do velho para o novo. Novas decisões, resoluções, votos de que tudo se realize e etc.

Ano novo sempre teve sinônimo de festa para mim. E nem é por causa da espumante, já que não sou muito dela (prefiro ainda a boa e gelada cerveja): é por causa da festa mesmo, uma carne na grelha, ou no espeto, ou no forno. Diversão. Os feriados das festas de fim-de-ano sempre significaram para mim a possibilidade de férias.

Pelo menos de 1996 para cá, desde que me tornei um profissional "liberado"!

Por isso não faço resoluções de ano-novo. Não oficialmente, porque no recôndito do pensamento acabo fazendo. Mais pelo período de férias e reflexão sobre o que anda acontecendo pelo mundo, mais pelo fato de que os outros se organizam assim e menos, mas muito menos, pelo fato de acreditar em ciclos anuais.

É o calendário que manda, o ano que se vai. Tudo para, ou nem tudo: muita gente trabalha para que outras possam comemorar!

Aos trabalhadores do ano-novo, feliz ano novo!

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Um "P.S.", mas na verdade com a maior importância de todas: não és o melhor tampouco o pior, mas és sem dúvida único! Pai, por todos teus 70 anos, feliz aniversário!

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