quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Haiti não é aqui

A obviedade do título da crônica de hoje chega a ser quase obrigatória. Quando ouvi pela primeira vez as notícias do ocorrido na ilha caribenha, ontem à noite, veio-me de pronto a melodia da música que - penso ser - do Caetano Veloso (que atualmente vê poesia no axé music, será que além de velho virou gagá?).

E sempre que há notícias de terremotos em grau x na Escala Richter (o de ontem, o maior, foi de 7 num máximo de 9), também lembro que, pelo menos em larga escala, não há terremotos no Brasil, o que sempre dá aquele orgulho ufanista de ser brasileiro - e isso não é competência, mas sorte de estarmos sob formações rochosas inadequadas para esses eventos.

Ouvi que há anos a Califórnia espera pelo "Big One", que é dado como o provável grande tremor capaz de aniquilar a costa oeste dos Estados Unidos. Como se prepara a maior nação do mundo para isso? E o Japão, também vítima de inúmeros tremores? São as mais altas potências mundiais temendo pelo destempero do planeta que não há como evitar, sendo possível apenas a preparação para se trabalhar sobre os escombros.

Mas e o Haiti, a mais paupérrima nação das Américas, vítima desse e de outros terremotos danosos e também dos desmandos de Papa Doc e Baby Doc nos tempos passados? Já era necessária a intervenção da ONU, tendo o Brasil à frente, para se garantir a paz!

O mundo agora volta os olhos para o Haiti, que não é aqui: está em toda parte!

Um comentário:

Rossana disse...

Bem postado, mano: o Haiti está aqui, nas vilas periféricas, na população ribeirinha ás margens do Guaíba, nas vidas ceifadas pelo tráfico e por tantas outras mazelas. Como sempre, um texto bem escrito e contextualizado. Abração!

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