quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Abu não dá bi

O sonho do bi colorado ruiu ontem. Desabou feito o World Trade Center, vítima de dois golpes. Mas, assim como no caso nos americanos, os colorados não são ingênuas vítimas.

O Internacional montou o circo, auxiliado pela imprensa sempre ávida por notícias e extremamente bairrista. Promoveram despedida hollywoodiana para os atletas, com exibição de filme da Libertadores no Beira-Rio e anunciado quebra de recorde de público numa sessão de cinema!

Os jogadores transformados um galãs de uma conquista inevitável. Afinal, o primeiro jogo SERIA contra o Pachuca, time mexicano que o próprio Inter já derrotara no passado. E depois, uma final apoteótica contra uma Internazionale em crise, com técnico pendendo perigosamente. Além disso, todas as coincidências evocadas em nome da verdade determinada: ano de Copa, jogador com inscrição indeferida, novato indo de última hora, técnico até então contestado. Era ir, ver e vencer!

Mas o César Colorado não vingou. A começar pelo adversário do primeiro jogo: não foi o anunciado Pachuca, mas sim o desconhecido Mazembe. Bem, o Inter é o único time brasileiro a ganhar títulos internacionais desde 2006 (para quem consegue achar algum relevo na Taça Suruga), portanto o Mazembe seria só um rito de passagem.

No entanto, era o momento de confirmar o pré-favoritismo, ou as mentiras escondidas apareceriam. Para começar, faz tempo que o Inter não tem esse time (ou grupo) todo que incensadamente dizem que tem. Os goleiros foram todos reprovados pela torcida. A zaga é a vontade de reviver 2006: uma zaga velha e lenta. O meio-campo tem como ícones dois argentinos: um da segunda linha do futebol mas guindado a condição de deus, que é o Guiñazu, e outro marrento que só joga quando quer (em geral Grenal).

E o resto seria Sóbis, também na tentativa desesperada de reviver 2006 e o contestadíssimo Alecsandro. NADA de excepcional nesses jogadores. Giuliano, eleito melhor jogador da Libertadores, apesar de ficar a maior parte do tempo no banco, não é reserva à toa: simplesmente porque não é tudo isso.

E, ao contrário do que tentou Roth já ao fim do jogo de ontem, não irá resolver TODOS os jogos no final, tal como foi com o Estudiantes, principalmente, em que salvou um Internacional nocauteado de parar ali mesmo.

Para terminar, o tal planejamento. Ouvia-se ontem no rádio os jornalistas perguntando que se o Inter havia planejado tudo tão corretamente, o que tinha dado errado? Ora, nem tão corretamente assim, a menos que alguém ache saudável parar de jogar competitivamente em agosto para só retornar em dezembro.

O Internacional deixou de jogar o Brasileirão (assim como Gauchão, em face da Libertadores) em nome de algo que tem por maior. E esse erro o próprio Grêmio cometeu em 1995. Ora, Brasileirão e Mundial Interclubes não são excludentes. O próprio Inter soube disso em 2006, sendo vice-campeão brasileiro - apesar de o Grêmio ter perdido a chance de ultrapassá-lo na última rodada ao ser derrotado para o então já rebaixado Fortaleza. Mas ainda assim teria sido terceiro. Inobstante, conquistou o Mundial.

O que me faz lembrar as duas maneiras em que o Inter saiu daqui e chegou na sede do Mundial em 2006 (como desafiante, pequeno diante do gigante Barcelona) e nesse ano (favoritíssimo).

Deu no que deu. E não por acaso: mau planejamento e time muito abaixo do propalado, as causas do verdadeiro fiasco.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mais um rap do Silva

Em meio à rotina de estudos que me impus, valho-me de eventuais cervejas com os amigos para desopilar. Não sei ser de outro jeito.

Pois ontem - nessa madrugada, para falar a verdade - eu voltava para casa no pós-aula e pós-cervejada quando me deparei com uma cena sempre horrível, mas recorrente nas metrópoles: na Sertório, junto à ponte do Guaíba, o corpo de um jovem jazia no meio-fio. Junto dele, sentada no cordão da calçada, uma jovem chorava a fatalidade, e em volta alguns policiais diligenciavam a ocorrência. Curioso que não havia o ajuntamento característico, pois se localizava defronte à uma casa noturna, o que me fez concluir que o ocorrido era recentíssimo.

Não sou de parar para essas coisas, nada havia a fazer, senão passar com cautela. Percebi a marca de um tiro no corpo do rapaz, sangue: um retrato que impressiona.

Hoje pela manhã vi na internet que se tratou de um homicídio, o rapaz foi vítima de 19 disparos de arma de fogo - certamente, uma queima de arquivo.

A casa noturna em questão é característica por festas com jovens da periferia, funkeiros ao que parece. Entre realidade e muito preconceito que transita no entorno dessa questão, o fato é que usuários de drogas e traficantes não são incomuns nesse meio. Daí, não fica difícil tirar conclusões (aliás, conclusões apressadas são bem fáceis de ser tiradas sempre).

Meu lado humanitário se compadece do jovem morto, não sem aquele lado de se perguntar o que foi que ele fez para merecer o trágico desfecho: certamente mexeu com quem não devia, o que sempre nos passa aquela sensação de insegurança. Desde a lei do mais forte, a lei do melhor armado vem vigindo sem freios.

Existe uma música, cantada por "As Chicas" - grupo formado pelas filhas do Gonzaguinha - em que elas interpretam o "Rap do Silva". A letra é pungente e lembra a fatalidade de "Domingo no Parque", de Gilberto Gil: contra a trajetória irreversível de um pai de família que curte bailes funkeiros. O refrão define: "Era só mais um silva, que a estrela não guia. Ele era funkeiro, mas era pai de família".

E a música segue relatando todo seu roteiro, beijo nas crianças, na esposa, a felicidade no bonde, até descer em seu destino:

"Mas naquela triste esquina, um sujeito apareceu. Com a cara amarrada, sua alma era um breu. Carregava um ferro em uma de suas mãos, e apertou o gatilho sem dar qualquer explicação"

"Sua alma era um breu" traduz de forma genial o ânimo daquele que será o algoz desse infortunado Silva. E a frase definitiva, tal qual em Domingo no Parque ("Juliana, seu sonho, uma ilusão"): "E o pobre do nosso amigo, que foi no baile curitr, hoje com sua família não irá dormir".

A música retrata com perfeição as tragédias, nem sempre das periferias, nem sempre nos grandes centros urbanos. E é a descrição da cena que presenciei essa madrugada, mas sempre um aviso, a mão do destino repousando perigosamente sobre nossas cabeças.

Descansa em paz, Milton.

As Chicas cantam "Rap do Silva": http://www.youtube.com/watch?v=81hCBlxmN0Q

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Missing

Desaparecido, é o que estou. Desde que virei concurseiro. São 8, 9 horas (incluindo aí as aulas) diárias dedicadas ao estudo. Aos 40 anos, descobri que estudar dá trabalho, até porque não foi coisa que fiz durante o primeiro, o segundo e o terceiro grau. Na Pós-Graduação me puxei um pouco, mas nada perto do que estou fazendo aqui.

A missão é chegar vivo a 16 de janeiro. Depois, veremos: haverá a segunda fase (ou não), que será em abril. Havendo terceira fase, novembro e dezembro - tô falando de 2011. E aí sim, janeiro de 2012 entrega dos títulos, se passar vivo da jaula dos tigres famintos!

Talvez depois disso eu retorne (ou não). A menos, claro, que meus quatro leitores aturem ficar lendo sobre concurso, defensoria pública, processo penal, Fundação Carlos Chagas e assemelhados.

Eu volto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Humor na tevê brasileira

Alguém tá acompanhando o [b]"Junto & Misturado"[/b] que às sextas-feiras passa na Globo, com Bruno Mazzeo (filho do Chico Anysio) e sua turma FAZENDO HUMOR na tevê brasileira? Vai no estilo do 'Cilada' que passava no Multishow!


Na verdade, tem uma boa inspiração numa trupe inglesa que faz vários esquetes, com seis atores interpretando diversos personagens. Nada que o Monte Phyton não tenha feito na década de 1960 e 1970, como precursores.

Essa trupe aí (Mazzeo, Renata Castro Barbosa, Fábio Porchat), mais o pessoal do CQC (que faz mais jornalismo que muito William Bonner) e a Cia. Melhores do Mundo (no teatro) sabem fazer humor...

E lembrar que por tantos anos tivemos diaristas, sob nova direção e (ainda) a zorra total mandando... A Grande Família não chega a ser ruim, mas essa mania de personagens caricatos em demasia me cansa!

Vale a pena assistir!

sábado, 6 de novembro de 2010

Cerco ao cigarro e ao Paul Mcartney

Vai virar cultural: o cerco ao cigarro em Porto Alegre está mudando os hábitos dos fumantes. Ontem eu retornava do curso que estou fazendo à noite e percebi que na frente de diversos restaurantes, grupos se organizavam na calçada para produzir a característica fumacinha!

Quer dizer, proibido fumar em locais fechados, buscam a rua como - ainda - fumódromo tolerável. Por enquanto.

O lamentável da lei - que tomo por inconstitucional - é continuar ameaçando punir somente o dono do estabelecimento comercial, à mingua do infrator - o fumante - ao qual não é previsto pena alguma. Mas isso é questão para um Mandado de Segurança, visando o controle difuso da constitucionalidade da lei. Papo de advogado e, atualmente, concurseiro!

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Filas já se formam no Beira-Rio para o show do Paul Mcartney. E sempre que se fala no ex-Beatle eu lembro da piada do cara que bate na casa dos Beatles, o George Harrison atende e o sujeito pergunta: "Olá, George, o Ringo Starr?", e George responde: "Não, foi Paul Mcartney no correio". "Então entrega essa carta pra ele, mas não deixa o John Lê, non!". Infame, eu sei.

De qualquer maneira há questões a serem observadas. Primeiro que se trata de aparente oportunidade única de assistir a Paul em Porto Alegre. Nunca fui beatlemaníaco, sempre fui pinkfloydiano, mas reconheço a importância do cara no cenário mundial. Mas eu falava das filas: parece que o show é amanhã, portanto os caras já estão acampando para garantir os, em tese, melhores lugares. Tudo bem, cada um na sua, eu na minha: não encaro uma fila dessas nem se fosse a Shania Twain nua!

Outra coisa que me chamou a atenção foi a reserva dos ingressos maciçamente para assinantes de ZH e sócios do Internacional. Dada a amplitude de um show desses, lamentável que tenha se reservado parcela tão grande, só pelo fato do camarada assinar o jornal que promove o show ou o clube que aluga o estádio - se não ouvi mal, foram 70 % dos ingressos destinados a esse estrato social!

Mas enfim, não se fala de outra coisa. Aos acampados no Beira-Rio, atenção: hoje à tarde no Gigantinho há um culto de beatificação (ou coisa que o valha) de uma gaúcha ou portoalegrense que fez sei lá o quê, Não confundam, senão vão sair de lá dizendo "mas que showzinho chato, heinhô Bastita?"!

domingo, 17 de outubro de 2010

Depois de tantos anos

Depois de tantos anos, por que escrever? Que motivos aparentemente vãos, juvenis, podem explicar as mais de duas décadas passadas sem que pessoas ou fatos saiam de nossa mente? Que mágica, que cruel destino se cumpre a memória rebatizada diariamente para pensar, repensar, filosofar, rememorando detalhes que se não são reais são fantasiados a partir de um sentimento que outrora fora verdadeiro? Como se explica a poesia, a literatura e aquilo tudo que eu acreditava ser a palavra que sempre pode soar como piegas, mas que se pronuncia em quatro letras, muitas vezes banalizada, outras superestimadas. Amor é definição que se vive e agora penso mesmo que somente com o distanciamento suficiente de uma geração inteira ele pode ser identificado.

Outros amores foram e são vividos, paixões vieram e ficaram, sentidos, sensações, meras vontades e milhares de tesões, se assim se podem dizer: acertos, erros, tentativas, escapadas, perdões, pecados, sonhos, pesadelos, verdades, mentiras, acasos, coincidências, ocasos, caminhos, atalhos, becos sem saída, estradas sem fim, trilhos, retas, curvas, quedas, socos, braços, beijos, carinhos, abraços, decepções, orgulhos, tristezas, depressões, euforias, dias, noites, madrugadas, insônias, vantagens, desvantagens, dinheiro, miséria, cansaço, dor, angústia, temor, insanidade, racionalidade, aspereza, certeza, dúvida, inércia: foram tantas coisas que passaram e tiveram tantos significados – todas eram minhas, o mundo que eu vivo, o que percebo, o que sinto, pressinto, o que intuo, aprendo, desaprendo, erro: assim se faz uma vida que continua sendo vivida.

Mas como se diz, relembrar é viver, e impossível sem evocar tantos sentidos como os enumerados e muito mais, potencializados, ampliados, verificados numa tela de cinema para poder outra vez mais sonhar. Voltar no tempo e redescobrir o que não tinha sentido e passou a ter, ou o que tinha e se perdeu completamente. Hoje não é amanhã e ontem nunca foi o presente: adentro numa sala onde fantasmas – do bem e do mal – estão prontos para me receber.

Escolho a primeira pessoa nesse meu discurso insano. Sou eu, não é outro o que viveu o passado, embora tantas vezes parece. Eu, tu, ele: iremos navegar num mar incerto, sem bússola, sem diário de bordo. Barquinho que um dia poderia ser transatlântico. Mas e o iceberg?

Vou então numa viagem, seja por ar, por terra, por mar. Não escolho os meios, proponho-me à deriva – por onde quiser essa revisita me levará. Sem medos, sem escolhas. Que eu perceba tudo isso.

Estou aqui, evocando meus próprios temores – mas sem medo. A coragem advém da certeza de que a hora é agora.

Sempre foi, é.

Nada ou tudo a ver

Meio mudo porque estou mudando, em rota de mutação. Para algo melhor, penso eu. Se não for, não era, se não for não vai: fica assim.

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Tá, começou o horário de verão. Tanto faz. Quando eu era bancário e saía exatamente às 18h15 do trabalho (com o tradicional "clanc" do relógio-ponto), até que era legal: atravessava a Redenção, chegava no Promenade e dava tempo de tomar um chimarrão com o pessoal (Paulo, Sílvio, Ivan, Márcia, Lola, Elenara, que turma boa) antes do anoitecer.

Mas passou, como tudo passa na vida. Tem gente que odeia, tem quem adore. O horário de verão - na verdade HORA brasileira de verão - é meio assim PT, uma luta entre extremismos! Ame-o ou deixe-o.

Como eu disse: tanto faz.

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E alguém reclamando "mas quando o calor vai vir?". Talvez novembro-dezembro-janeiro-fevereiro-março de uma Porto Alegre escaldante não seja suficiente. Verão só é bom na praia, e olhe lá! Bom, tem gente que não se importa em destilar o dia inteiro no intenso labor. Vai de cada um.

A vida é feita de dicotomias, afinal: Grêmio ou Inter? Noite ou dia? Senna ou Piquet? Dilma ou Serra? Praia ou serra (de novo?)? Etanol ou gasolina? Vinho ou cerveja? Churrasco ou lasanha? Beijo na boca ou... bem, deixa pra lá, o beijo tá ótimo - se não for ótimo, não é beijo!

Enfim.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Rapidinha de hoje: não aguento mais ouvir falar em Marina

É só eu ou já não dá mais pra se ouvir falar em Marina Silva?

A conservadora e evangélica candidata do Partido Verde, petista histórica, assenhorou-se de todas as virtudes do mundo político num discurso bonitinho que, tirante a maquiagem que lhe foi dado, é tão cansativa ou mais do que o do PSOL, último bastião da moralidade na política brasileira.

Só que agora seus vinte milhões valem mais do que se ganhasse um real por cabeça - só a CPMF disso já me serviria. Serra pulou na frente para dizer que está com 51 % da preferência nas pesquisas (só que sobre os eleitores da verdinha Marina, insuficientes para suplantar Dilma).

Ambos gracejam gentilezas em direção a Marina. O CQC da Band (segundas, 22h) bem registrou isso.

Aliás, poderíamos cancelar o Jornal Nacional como programa oficial dos brasileiros e trocar pelo CQC - para quem não conhece, um "Pânico" feito por pessoas com cérebro, literalmente.

Pode apostar que bem menos "tiriricas" dariam-se bem por aí.

Ah, e que me perdoem as Marinas (as demais)!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu desisto

Que eu tenho mania de aparecer não é novidade pra ninguém, muito embora até tímidos (como eu) têm blogs. Muitas pessoas manifestam-se de forma maravilhosa por escrito. Já oralmente...

Bem, além dessa mania de querer aparecer (mas não a qualquer custo), também tenho o hábito de me vangloriar, muitas vezes por questões que não afetam a minha vontade. Por exemplo: dia desses tava me gabando de nunca ter tido problemas com caixas eletrônicos, que os utilizo há 22 anos e blá blá blá. Pois bem: não é que numa sexta-feira às cinco da tarde (tinha que ser exatamente nesse horário), ao retirar dinheiro de um caixa 24h no forum, a máquina engole R$ 50 meus? Pois é, eu que me vangloriava tanto já não poderia mais (fui prontamente ressarcido na segunda, mas fica o registro da perda dessa "invencibilidade".

Como não aprendo nem comigo mesmo, também estava eu botando banca que não pegava resfriado há quatro anos. Pá-pum, e o resfriado fez-se no corpo: sexta, sábado, domingo, segunda muito mal, terça de feriado melhorando mas um mau jeito nas costas deixou-se quanse sem poder me mexer, e cá estou eu na quarta, ainda meio grogue, procurando sentido nas coisas do dia-a-dia. Não podia dessa vez ficar quieto, ou pelo menos lá na quinta-feira ter levado o tal "casaquinho" para a aula à noite?

Sim, agora tenho aula à noite. Escola noturna. Para ver se aprendo algo, pois como dizia Taiguara, "eu desisto, não existe essa manhã que eu perseguia"!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Eleições 2010

Cresci em casa politizada, portanto não sei me omitir quando o assunto é eleições - ao contrário de muitos por aí, votaria com gosto mesmo que não fosse obrigatório. Mas quantas coisas se faz por aí somente porque somos obrigados a ela?

Mas como por enquanto ainda acredito que o voto é o exercício da democracia, da liberdade, do poder de escolha, da participação no processo político e toda aquela ladainha que mais parece as aulas de Moral & Cívica dos anos 1970, sigo escolhendo meus candidatos e acompanhando tudo o mais que cerca isso que - dizem - é a festa da democracia.

Os resultados não me surpreenderam: Tarso venceu em 1º turno com folga, duas eleições depois que os gaúchos cansaram do voto anti-PT para eleger políticos "alternativos" de legendas nem tanto!

O PSOL pagou o preço daquilo que acredita: sem alianças, sem costuras, conxavos, panelinhas, encontros furtivos e política do me-dá-que-é-meu, baseado do discurso de que a virtude é exclusiva deles. Ajudado, claro, pelo fato dos meandros judiciários não terem dado azo às denúncias (não se sabe se comprovadas ou não) contra a Governadora do Estado. É um partido que deverá repensar sua própria existência!

Dilma já se anunciava que não alcançaria a vitória sumária, embora esteja bem perto dela e a menos que algum fato político, plantado ou não, modifique o panorama e a própria fauna e flora eleitoral, sua eleição deve se confirmar em 31 de outubro sem maiores sobressaltos. Um pouco também porque Serra é o verdadeiro picolé de chuchu!

Afora isso, Tiririca se constituiu no absurdo, não mais de si mesmo, mas do eleitor que, seja porque descrente ou seja por imbecilidade extrema, votou de forma atordoadora nele. São 1,3 milhão de paulistas, sejam retirantes nordestinos, gaúchos inflitrados, paranaenses perdidos ou corinthianos fumados. Se faltou bom senso ao eleitor na hora de votar como protesto, o próprio acaso talvez resolva essa questão com o provável analfabetismo do deputado federal eleito. Falha do sistema que só percebeu isso agora.

Sim, o sistema: ele sempre falha. Num país que tem o sistema de apuração de votos mais avançado do mundo, tiriricas vão da tevê ao parlamento fazendo chacota de um Brasil adolescente!

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No último trimestre de ano, uma pequena guinada para a esquerda para retomar o rumo, já pensando não só 2011 como 2012, 2013... Avisos e exemplos não me faltaram, mas é só uma questão de corrigir a rota!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter

Comecei a trabalhar em escritório de advocacia pouco menos de dois meses após minha formatura - entre ela e o início desse sacerdócio de renúncias, os aclamados meses de janeiro e fevereiro que nada serviram para um graduado desempregado e fedorendo (fedorendo é brincadeira, evidentemente).

O escritório ficava em cima do antigo cinema Victória - aliás, como é surpreendente me ver referindo a algo que vivi como "antigo", dividido com advogados trabalhistas e civilistas, estes os quais eu assessorava diretamente (ambos até hoje meus amigos e um deles meu "senhorio" no gabinete em que sou locatário).

Era do tempo em que eu (ainda) circulava pelo centro de Porto Alegre - o que hoje só faço contrafeito, aliás, é provável que eu vá hoje à tarde ainda. Enfim. Almoçava por ali mesmo, nos restaurantes da Andrade Neves. E por ali, creio que nas "Brasileiras" (existe ainda?) comprei uma xícara de porcelana para o meu café diário no escritório. Virou um símbolo de meu início na carreira jurídica, pós-formatura.

Acompanhou-me a xícara por todos os escritórios e empresas e ongs que trabalhei. Digo desse jeito para parecer que foram muitas, mas de fato foram alguns locais de trabalho nesses quatorze anos de trajetória insistente (todo dia acordo e me pergunto, "por quê??"). Enfim de novo.

Tratei com maior carinho minha xícara, branco com detalhes em azul e com desenhos e inscrições em sua lateral. Pois dias desses quando fui lavá-la, a fatal escorregada das mãos e pá-pum, quebrou-se a alça. Clamou pela aposentadoria a xícara, substituída por uma de vidro transparente fornecida conjuntamente com uma famosa marca de café solúvel (depósito em minha conta para eu referir o nome, please).

Desse modo perdi algo, uma coisa inanimada, mas cercada de afeto e significação em minha vida. Não mereceu maiores lamentos do que aquela consternação de que as coisas estão aí justamente para nos deixar, enquanto nós não as deixamos. É a efemeridade da existência, inclusive das meras coisas sem valor senão sentimental.

E quantas dessam passam por nós e deixam as marcas de um passado que se foi? E quantas vezes os símbolos de nosssa juventude, de uma conquista inesquecível, de um banho de chuva inusitado, partem do mundo material como que agradecendo por terem sido tão especiais, mas que chegou sua hora e que, portanto, devem ser substituídas?

Há muito disso com carros. Com roupas. Com aquele apartamento que significou o rompimento de uma vida dependência. Com aquele primeiro disco do Black Sabbath comprado num brique do viaduto da Borges. E até com xícaras de cafés sorvidos em meio a agravos de instrumento, petições iniciais e embargos que não serão providos.

A vida é assim, dinâmica e sacana. Há quem não se apegue a nada, nem a coisas, sequer a pessoas. São vidas vazias, existências sem amor. Sentimento deturpado. O verdadeiro amor é altruísta. Mas isso também já é outra discussão.

O título desta crônica vem da música "Marcas do que se foi", composta por Zurema e imortalizada pelos Incríveis na campanha de ano novo da Globo, creio que em 1976. Diz o refrão:

"Marcas do que se foi
Sonhos que vamos ter
Como todo dia nasce
Novo em cada amanhecer"


E segue a vida. Vou lá tomar meu café na xícara nova!

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p.s. Quem quiser ver uma montagem com essa música, dá uma olhada em http://www.youtube.com/watch?v=gRxOCYMiAcE

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sobre duas pernas ou quatro rodas

Na adolescência, eu ouvia: "tem três coisas que se tu fizer não precisa mais me chamar de pai: comprar uma moto, fazer tatuagem e colocar brinco". Penso que não eram cumulativas, qualquer uma delas seria suficiente para que a "ameaça" se concretizasse - pelo menos uma seria o desgosto, duas uma grave tensão entre nós; as três, creio que eu mataria o velho.

Talvez um pouco por isso, nenhuma das três jamais me atraiu. Nada de preconceito em relação ao brinco, por exemplo - só continuo achando que cai tão bem em homem quanto gravata em mulher. Questão de gosto, portanto.

Já a tatuagem sempre tive por algo definitivo demais em minha vida. Nada pode ser tão permanente, senão a própria. E assinar sobre o próprio corpo? Lembro de uma vez na adolescência que um amigo, com o uso de uma lapiseira, cortou sobre as costas da mão o nome da namorada - era Daiane, ele aguentou só até o "Dai", mas estava mais para "dói". Evidentemente que o palhaço aqui também tentou, e nem seria o nome da namorada, que eu não tinha, nem da paixão avassaladora da época, e sim o meu próprio: não consegui terminar nem a cabeça do "R", marca que permanece no dorso da mão direita até hoje, 27 anos depois.

Finalmente, a moto: sou comodista demais para andar numa (para não dizer cagão). Lembro de alguns acidentes fatais e pá-pum, lá se vai qualquer pensamento nesse sentido. Há uns anos atrás, todavia, um amigo, quando eu morava em Ijuí, comprou uma moto antes mesmo de saber andar. Ele, eu e mais o saudoso Aranha - que depois faleceria num acidente, mas de carro, e como passageiro! - andamos à volta com a moto adquirida. Ousei dar umas bandas, ainda que breves, o suficiente para não acha-la tão perigosa numa rua calma do interior gaúcho. Mas qualquer cedência à ameaça paterna na adolescência se foi junto com a cerca que colhi dentro do pátio da casa desse amigo - realmente, as cervejas tomadas não autorizavam uma voltinha que fosse dentro do pátio - restou o susto, um joelho imediatamente inchado que felizmente desinchou na mesma velocidade - mas ficou a marca, tal qual a tentativa de mutilação aos 13 anos!

Tudo isso para ressaltar um fim-de-semana em que morreram sete motociclistas nas estradas gaúchas - essas coisas me impressionam sobremaneira, tal qual a jovem de 18 anos, a bordo de uma Byz, que bateu num caminhão e por ele foi atropelada bem aqui na minha frente, defronte à janela em que escrevo, há cerca de duas semanas atrás. Vi seu corpo sendo retirado do eixo do caminhão e acompanhei o noticiário que informou sua morte uma hora depois no HPS.

Um olhar atento, a voz na adolescência e saber que isso não é pra mim, as verdadeiras causas de eu me manter afastado das duas rodas. Prefiro andar sobre as quatro ou, ainda, se forem duas, que sejam minhas pernas!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Doce ilusão

Como sói acontecer em épocas de fartura no prêmio da mega-sena, as mídias veiculam matérias sobre o que se pode fazer com a fortuna sonhada. Tantos mil carros populares, não sei quantas coberturas de luxo, um valor que se aplicado na poupança renderia centenas de milhares de reais por mês e por aí vai.

Não sei quanto a ti, mas a mim dinheiro nunca deslumbrou! Não estou falando de quantias módicas que se ganha aqui e ali fruto do trabalho ou de uma contravençãozinha ali no jogo do bicho: são os tais R$ 70 milhões prognosticados para hoje na mais concorrida das loterias.

As pessoas apressam-se em dizer que largariam tudo e viveriam uma vida de rei. Na verdade, tenho dó de quem pensa assim: não admito que minha vida possa ser tão vazia a ponto de eu deixar de ser quem eu sou, como eu sou e onde sou.

Nada mudaria: trabalho, filhos, esposa, amigos, família, sonhos. Nada disso se compra (nem se vende). São conquistas nossas, em maior ou menor grau. Tudo dependendo, é claro, de nossas escolhas. A minha é ser feliz, e R$ 70 milhões passam longe disso, vai além. É questão de caráter, e isso também não se comercializa.

Joguei, portanto tenho chance (uma em cinquenta e quatro milhões). Mas não me iludo, até porque ganhar um ou setenta milhões é, para mim, quase a mesma coisa! Tirando a preocupação diária com as contas que se empilham na mesa, o resto permaneceria - e permanecerá - igual!

A ilusão é doce ao pensar que podemos ser felizes não sendo nós mesmos!

***

Tudo isso me fez lembrar Raul de Leoni:


Almas desoladoramente frias



Almas desoladoramente frias
De uma aridez tristíssima de areia,
Nelas não vingam essas suaves poesias
Que a alma das cousas, ao passar, semeia...


Desesperadamente estéreis e sombras
Onde passas (triste aura que as rodeia!)
Deixam uma atmosfera amarga, cheia
De desencantos e melancolias...


Nessa árida rudeza de rochedo,
Mesmo fazendo o bem, sua mão é pesada,
Sua própria virtude mete medo...


Como são tristes essas vidas sem amor,
Essas sombras que nunca amaram nada,
Essas almas que nunca deram flor...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Parabéns, Roth

O título de ontem conquistado pelo Sport Clube Internacional tem na figura de seu técnico, contratado em meio à Copa do Mundo depois da demissão do instável e inconfiável Fossati, o símbolo máximo!

Nada foi mais significante para o Inter nessa reta final que a presença de seu técnico na casamata. Um técnico que fora desprezado pelo Grêmio, há pouco mais de um ano atrás, após quatro sucessivas derrotas por 2x1 em Grenais, mesmo tendo seguido a cartilha evocada pela diretoria de prioridade à Libertadores.

Não bastou a Roth, na ocasião, ter classificado o Grêmio por antecedência à segunda fase da Libertadores, com a melhor campanha dentre 32 clubes. Ele carregava a imagem do fracasso, do cavalo paraguaio e das derrotas sucessivas nos grenais - a última, inclusive, passaram por seus próprios deméritos, diga-se a verdade.

Roth sucumbiu ao imediatismo, tentou a sorte novamente no Atlético MG e outra vez sucumbiu ao imediatismo do futebol. Pagou uma vez mais o preço caro de pegar um time desacreditado e fazê-lo acreditar. Fez o trabalho do mecânico que faz andar o carro enguiçado, mas que leva a culpa por depois o mesmo deixar de andar por falta de combustível.

Veio o acaso e a aparente loucura de Fernando Carvalho em contratá-lo como solução. "Ele é bom em tiro curto", diziam. Dizem. Tá mostrando que é, pelo menos nesse tiro curto em que comandou o Internacional em quatro jogos decisivos, com três vitórias e uma derrota.

A conquista colorada de ontem (leia-se a conquista de Celso Roth) é um duro golpe nos torcedores de futebol (no caso, os gremistas) que acreditam que o fim do mundo se assemelha a um vice-campeonato! Olvidam os mesmos gremistas que justamente a primeira conquista da América, não só do tricolor, mas de um time do sul do país, veio exatamente depois de um vice-campeonato - aquele de 1982, dolorido, com a roubalheira perpetrada por Oscar Scolfaro (ah, meu caro, o inferno te espera).

E mesmo assim, lembre quem puder: com as perdas em 1982 do Brasileirão e do Gauchão, o time que se desenhou desde 1978 sofreu sensíveis mudanças. Deixaram o clube símbolos como Leão, Batista, Paulo Isidoro e Baltasar! Mazaropi, Baidek, Osvaldo, Tita, Caio e César vieram somar para conquista a América em 1983.

Mas havia uma determinação, um projeto, uma certeza, um mesmo planejamento político. Não se destruiu a casa com o vice-campeonato. O mundo não acabava - pelo contrário, estava em vias de ser pela primeira vez conquistado por um exército gaúcho.

A história seguiu sendo contada e hoje temos dois bicampeões da América no sul do país. Rivalidades à parte, motivo de orgulho no bairro. Mas acima de tudo, ainda que restem ferozes e nem sempre racionais críticas a ele, Celso Roth, um mito do futebol brasileiro cai.

Parabéns ao Roth!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A primeira carta

Nada incomum, a frase "isso é do meu tempo" é recorrente entre os saudosistas, ao ouvirem uma música, relembrarem um filme, um comercial de tevê. E junto vem a discussão sobre as gerações: sou dessa ou daquela geração.

Estudiosos definiram a atual geração como a "y". A minha, que viveu a passagem da adolescência para a vida adulta nos anos 1980, se não me engano é a "x". O que me dá um certo medo, pois a aproximação do fim do alfabeto induz pensar que o apocalipse está perto!

Estou mais para a classificação de gerações conforme a reforma do ensino: meus pais são do tempo do Primário, Ginasial e Científico. Na minha época já era primeiro e segundo grau. Agora é ensino fundamental e médio! Sem falar na história que colocaram um ano a mais no primeiro grau, digo, no ensino fundamental.

Não acresceram a 9ª série, como seria de se pensar de imediato. Na verdade transformaram o pré-primário em primeiro ano, e renumeraram as oito séries seguintes.

O que tem dado uma certa aflição para pais, educadores e, consequentemente, crianças. Vejo pais de colegas de minha filha, que está com seis anos recém completos, apreensivos com o fato da escola ainda não estar alfabetizando os pequenos.

No caso da Helena, ela entrará na primeira série no ano que vem, quando completará sete anos. Ao que parece, o processo de alfabetização se desdobrará em dois anos, o que dá a entender que a coisa fluirá naturalmente. Dificilmente, penso eu, alguma criança passará à terceira série sem estar lendo e escrevendo na perfeição dos seus sete ou oito anos.

Mas tudo isso pra dizer que, inobstante o processo educativo, a baixinha já está ansiosa para diminuir a taxa de analfabetismo no país. Vem num processo constante de vontade de ler, de escrever. Pergunta sobre letras, identifica placas (as que têm seu nome escrito, por força de uma candidata a deputada, são detectadas com felicidade quando andamos pela rua).

E já escreve bilhetes, auxiliada por dicas das letras ou mesmo copiando, como foi o caso do bilhete abaixo, que ela escreveu para a professora perguntando o nome de um livro que ela quer que compremos pra ela. Note que abaixo do nome dela, naturalmente a anotação é da professora, dando a indicação do título do livro, autor e editora.

Fiz questão de escanear e tornar público esse feito. É algo tipo a primeira carta que ela escreve, daquelas coisas que guardaremos para lembrar esses momentos que não voltam.

Está aí, eternizado na web!

domingo, 15 de agosto de 2010

Fora mas por perto

Ando tão sem idéias. Na verdade com muitas idéias, mas algo do tipo sem saco pra escrever. "Prontofalei", como se diz hoje em dia - o "como se diz" é a desculpa para quem não acompanha o tempo. Quer dizer, acompanha, mas o tempo sacaneia. É isso: uma sacanagem do tempo. E assim me deixo ficar, cheio de idéias, sem nada escrever.

Eu volto.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Filme gastronômico

Meu interesse sobre gastronomia - que sempre existiu só que agora tá na fase intensa, digamos assim - tem me levado a ler sobre o assunto, como por exemplo o livro "Cozinha confidencial", do chef americano Anthony Bourdain, sobre sua carreira politicamente incorreta.

Também por esses olhos atentos ao assunto, nesses dias tirei da locadora o filme "Julie & Julia" (EUA, 2009, dir. Nora Ephron), que conta a história de uma frustrada americana que trabalha com sinistros de 11 de setembro. Julie Powel encontra em Julia Child, uma secretária que se tornou referência na gastronomia americana dos anos 1950 ao escrever um livro de receitas francesas para americanas sem empregadas, um desafio para a vida: se propõe a fazer todas as quinhentas e tantas receitas do livro em 365 dias, para isso valendo-se de um blog que acaba por se tornar visitadíssimo.

O filme é baseado em fatos reais, a partir do livro publiado por Julie Powell! Julia Child, uma mulher enorme de fala infantil é vivida no filme com maestria por Meryl Streep. Basta olhar no youtube os vídeos da Julia verdadeira para ver a perfeição com que Meryl interpreta o personagem.

Os pratos são apenas o pano de fundo da história, muito bem contada com cortes de tempo que revelam a similaridade entre as duas, embora não apenas cerca de 50 anos as distanciem! Gostei do filme porque não é fantasioso: algo real, como aliás é a própria vida. O fim não se desenvolve para os desenlaces bonitinhos de Hollywood, e isso pra mim em termos de cinema vale ouro!

Dá até vontade de cozinhar diariamente, mas para quem? E o custo disso?

Tô precisando arranjar um emprego de cozinheiro...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Repetir ou interpretar?

Dizem que a bola pune. As rodas também, e a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) - quando quer - mais ainda.

Schummacher por anos foi o cara. Hexacampeão de F1, imbatível, ninguém superava o alemão. Diziam que era pelo talento inigualável. Já eu, o "do contra", sempre com teorias próprias, dizia que era pelo carro inigualável. Rubens Barrichelo, da mesma equipe, não o superava. "Pé-de-chinelo", consagraram os imbecis do Casseta & Planeta e o homem médio repetiu em coro! De minha parte, obviamente, havia outra explicação: Rubinho NÃO podia ultrapassar o alemão, mas não por questões técnicas: decisão da equipe.

Nem o episódio (acho que foi) de 2002 serviu para que me dessem razão: Barrichelo era um traíra, alguém que não amava a pátria, um pé-de-chinelo mesmo, aquele blá-blá-blá todo que a mídia despeja e o Zé Povão aceita sem analisar. Pois Rubinho, que passou temporadas como coadjuvante de Schmmy, o único que podia batê-lo, estava proibido de fazê-lo. Por ordens da equipe.

Não por acaso, a mesma Ferrari que este ano mandou o incensado Massa (que até o momento não fez nada além do que Barrichelo já não tenha feito) dar licencinha porque o Alonso vinha voando. Abriu-se o debate sobre a ética na Fórmula 1. Muito pouco ou nada se falou sobre o Felipe, que bradou aos quatro ventos que deixa a equipe se um dia lhe disserem que ele é o número 2. Bem, se é o número 2 eu não sei, mas Alonso continua o superando.

Já em outro nível de conversa, Barrichelo fez ultrapassagem memorável em Schummacher - que se sabe lá qual motivo o fez retornar - na disputa pelo DÉCIMO lugar. Isso mesmo, décimo. Mas o Michael não era o máximo, não era o cara? Como está agora lutando pelo décimo lugar, e ainda precisando jogar o ex-companheiro de equipe contra a murada para nem assim garantir a posição? A FIA o puniu com a perda de 10 posições no próximo grid de largada.

E o fato, pela minha análise, só confirma que o hexacampeão era muito mais carro do que piloto. Naqueles anos, seria campeão quem a Ferrari quisesse. Querendo, teria gerado um brasileiro que poria Senna no bolso! Não quis isso, apostou no alemão - que faça-se justiça, já havia sido campeão por outra escuderia, se não estou enganado na Benneton!

Não é só aí que os fatos são interpretados. Acontece o tempo todo. Resta a nós, reles mortais, querermos nós mesmos interpretarmos o que nos é exposto, ou apenas repetirmos os dogmas. Eu escolhi a primeira opção

***

P.S. De volta, depois de um período não exatamente sem tempo, mas como ele mal administrado. E sem idéias, também. Dá um cansaço esse papo de interpretar!

domingo, 18 de julho de 2010

A paella valenciano-portoalegrense do chef Mizunski

Ontem (sábado, 17/07), testei a receita da "verdadeira paella valenciana" a que fiz referência dias atrás. Com os conhecimentos aplicados no curso realizado, dediquei três horas de meu final de tarde para servi-la na janta. O que era para ser para duas pessoas, evidentemente, dava para umas cinco.

Melhor que faltar, né?

Seguem os registros fotográficos:



sábado, 17 de julho de 2010

Palavras de Gentileza

Leio no jornal que a EPTC agiu rapidamente e apagou os desenhos feitos por artistas amadores, que se assinam como Instituto Bárbaro, nos bancos das paradas de ônibus de Porto Alegre! O ar novaiorquino dado pelas pinturas, ilustrando o cotidiano, foi brutalmente apagado, sob a tosca alegação de que precisaria de autorização da autarquia!

Dias dessas, no túnel da Conceição, algumas mentes inventivas escreviam nas paredes imundas palavras de paz, usando detergentes e afins, ou seja, limpando a sujeira. Claro que a Brigada Militar, antes mesmo de olhar o que estava acontecendo, mandou os caras pra parede, pro chão, usando da usual truculência da instituição (claro, há exceções, até mesmo para confirmar a regra).

O que leva o Poder constuído a agir tão eficazmente contra manifestações artísticas e/ou pacíficas, enquanto a cidade segue sendo pixada por vândalos semi-analfabetos na madrugada sem que ninguém faça nada? Ou eles pedem autorização? Quer dizer, se um filho daquela senhora pixa o muro ou a parede de uma empresa, o Poder Público não tá nem aí! Agora, experimente desenhar, pintar, fazer algo criativo: o flagrante estampa as capas de jornal!

O que me faz lembrar daquela música cantada pela Marisa Monte, "Apagaram Tudo", que conta a história do poeta/profeta Gentileza, um mendigo que, dizem, perdera toda a família num incêndio de circo e passou a morar na rua, usando as paredes e vigas dos viadutos do Rio de Janeiro para escrever poemas e frases. O profeta morreu em 1996, os escritos foram pixados por criminosos e a prefeitura não tardou a apagar os escritos!


Homenagem bonita de Marisa Monte ao gravar essa música, cuja poesia é pungente. O vídeo dilacera o peito, esmaga o coração: não deixe de prestar atenção:


"Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca"

"Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza"

"Por isso eu pergunto, a alguém no mundo,
O que é mais inteligente, o livro ou a sabedoria?"

Inteligência, coisa rara de ser utilizada

***

Publico aqui o que o Wikipédia noticia sobre Gentileza. Interessante ler:

Sua infância



Nascido em Cafelândia-Sp, no dia 11 de abril de 1917. Com mais onze irmãos, teve uma infância de muito trabalho, na qual lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades.

O campo ensinou a José Datrino a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia "amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento"

Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos treze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, na qual acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espirituais.

Surge o Profeta Gentileza

No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo "Gran Circus Norte-Americano", no que foi chamado de Tragédia do Gran Circus Norte-Americano e que foi considerado uma das maiores fatalidades em todo mundo circense. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido "vozes astrais", segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar "José Agradecido", ou simplesmente "Profeta Gentileza".

Após deixar o local que foi denominado "Paraíso Gentileza", o profeta Gentileza começou a sua jornada como personagem andarilho. A partir de 1970 percorreu toda a cidade. Era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".

Entretanto, um artigo de autoria da professora Luiza Petersen e do jornalista e escritor Marcelo Câmara, que conviveram com Datrino ("Jornal do Brasil" de 21/02/2010) e rebatido por outro artigo publicado no Jornal do Brasil  afirma que ele, apesar de falar em gentileza como um mantra, era "agressivo, moralista e desbocado [...] Vociferava, ofendia e ameaçava espancar transeuntes", ao ponto de às vezes ser necessário chamar a polícia para acalmá-lo. "Suas principais vítimas eram as mulheres de minissaia ou com calças apertadas, de cabelos curtos, que usavam maquiagem, salto alto e adereços [...] A maioria da população, especialmente as mulheres e crianças, fugia dele". A imagem que se criou dele após sua morte, segundo os autores, não corresponde às lembranças dos que conviveram com ele durante os anos 1960 e 1970.

Os murais

A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5 km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização.

Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a gentileza e a aplicarem gentileza em toda a Terra.

Após sua morte

Em 28 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no "Cemitério da paz".

Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. A eliminação das inscrições foi criticado e posteriormente com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.

No final do ano 2000 foi publicado pela EdUFF (Editora da Universidade Federal Fluminense) o livro Brasil: Tempo de Gentileza, de autoria do professor Leonardo Guelman. A obra introduz o leitor no "universo" do profeta Gentileza através de sua trajetória, da estilização de seus objetos, de sua caligrafia singular e de todos os 56 painéis criados por ele, além de trazer fatos relacionados ao projeto Rio com Gentileza e descrever as etapas do processo de restauração dos escritos. O livro é ricamente ilustrado com inúmeras fotografias, principalmente do profeta e de seus penduricalhos e painéis. Além de fotos do próprio profeta Gentileza trabalhando junto a algumas pilastras, existem imagens dos escritos antes, durante e após o processo de restauração.

Em 2001, foi homenageado pela Escola de Samba GRES Acadêmicos do Grande Rio.

Em Conselheiro Lafaiete, cidade do interior de Minas Gerais, há um amplo trabalho feito pela ONG AMAR que dá continuidade ao trabalho do Profeta Gentileza. Foram desenvolvidas oficinas com jovens da cidade, onde foi possível repassar as técnicas de mosaico. Além disso, um grande muro no bairro São João recebeu uma linda aplicação de mosaico. E a praça São Pedro, no bairro Albinopólis, foi toda decorada seguindo o exemplo do Profeta Gentileza.

O Profeta Gentileza nas artes

Gentileza foi homenageado na música pelo compositor Gonzaguinha, nos anos 1980; e também pela cantora Marisa Monte, nos anos 1990. As duas canções levam o nome Gentileza.

A canção de Gonzaguinha mostrava uma homenagem ao profeta, como se vê no trecho: "Feito louco / Pelas ruas / Com sua fé / Gentileza / O profeta / E as palavras / Calmamente / Semeando / O amor / À vida / Aos humanos". A canção de Marisa Monte, por sua vez, além de incentivar os valores pregados pelo profeta (no trecho "Nós que passamos apressados / Pelas ruas da cidade / Merecemos ler as letras / E as palavras de Gentileza"), retrata os danos ocorridos contra os murais, como diz o trecho: "Apagaram tudo / Pintaram tudo de cinza / Só ficou no muro / Tristeza e tinta fresca.".

No ano de 2000, na cidade de Mirandópolis (SP), onde o profeta está enterrado, foi criada a primeira ONG da cidade: Gentileza Gera Gentileza, fundada por parentes e amigos que admiravam a filosofia de vida do Profeta. A ONG, além de lembrar a pessoa de José Datrino (Profeta Gentileza), em sua criação, tinha a missão de difundir educação e cultura em toda a região. Vários eventos foram feitos, como: Saraus mensais itinerantes, Encontros de Corais, Tardes Culturais para Crianças no Bosque da cidade, Participações em Eventos Escolares e um evento anual denominado "Gentileza Gera Gentileza", com música, teatro, poesia e dança, entre outros.

Em 2009, o profeta foi interpretado em participação especial pelo ator Paulo José, na novela Caminho das Índias, exibida pela Rede Globo de Janeiro a Setembro de 2009.

Crenças

Gentileza denunciava o mundo, regido "pelo capeta capital que vende tudo e destrói tudo". Via no circo destruído uma metáfora do circomundo que também será destruído. Mas anunciava a "gentileza que é o remédio para todos os males". Deus é "Gentileza porque é Beleza, Perfeição, Bondade, Riqueza, a Natureza, nosso Pai Criador". Um refrão sempre voltava, especialmente nas 56 pilastras com inscrições na entrada da rodoviária Novo Rio no Caju: "Gentileza gera gentileza, amor". Convidava a todos a serem gentis e agradecidos. Anunciava um antídoto à brutalidade de nosso sistema de relações e, sob a linguagem popular e religiosa, um novo paradigma civilizatório urgente em toda a humanidade.

Houve um homem enviado ao Rio por Deus. Seu nome era José da Trino, chamado de Profeta Gentileza (1917-1996). Por mais de vinte anos circulava pela cidade com sua bata branca cheia de apliques e com seu estandarte, pregava nas praças e colocava-se nas barcas entre Rio e Niterói anunciando sem cansar: "Gentileza gera Gentileza". Só com Gentileza, dizia, superamos a violência que se deriva do "capeta-capital". Inscreveu seus ensinamentos ligados à gentileza em 56 pilastras do viaduto do Caju, à entrada da cidade, recuperados sob a orientação do Prof. Leonardo Guelman que lhe dedicou um rigoroso trabalho acadêmico, acompanhado de vídeo e um belíssimo um CD-ROM com o título Universo Gentileza: a gênese de um mito contemporâneo.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza, acessado em 17/07/2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O que se inventa para precisar e não precisar trabalhar

Por essas e outras que a profissão é estigmatizada: advogado é condenado pelo crime de falsidade ideológica por ter, à época da faculdade, falsificado atestados de comparecimento a audiência, necessários para aprovação em disciplina de Prática Processual Penal.

Condenado ainda em primeira instância a uma pena de reclusão de um ano e seis meses, convertida em pena restritiva de direitos de prestação de serviços à sociedade, ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça onde - espera-se - não obtenha nenhum sucesso.

O cara começa mal: para se formar em Direito falsificou assinatura de Desembargadora. Além de falsário, burro: escreveu incorretamente o nome da julgadora, exatamente o que chamou a atenção de seu professor.

Fui professor universitário por três anos, e a cada vez que um aluno reclamava da nota zero dada a trabalhos copiados da internet ou de outrem, eu lhes dizia para agradecer o fato de eu não abrir inquérito administrativo na faculdade e fazer ocorrência policial por falsidade ideológica.

Embora os atestados não tenham sido aceitos pelo professor, o então estudante restou aprovado na disciplina, pois levado a exame, culminou por tirar nota dez na prova derradeira (ao contrário dos meus alunos falsários que acabavam reprovados nos exames finais)!

Não sei exatamente como o fato chegou ao conhecimento do Ministério Público, que promoveu a denúncia. O que lamento é que, mesmo respondendo por crime de falsidade ideológica cometido dentro da faculdade, o aluno colou grau, prestou exame na Ordem dos Advogados do Brasil e hoje advoga tranquilamente (creio eu), muito embora o juiz que o condenou  tenha determinado a expedição de ofício à OAB.

Segundo o Estatuto da Advocacia, está sujeito à pena de exclusão o advogado que for condenado por crime infamante (art. 34, XXVIII). Não sei se a Ordem considerará tal como infamente.

As pessoas podem errar e se arrepender de seus erros. No caso, foi situação atenuante a confissão do crime (que não é condição absoluta para a condenação, como a gente vê na tevê). Pode ser um caso isolado, um desatino da juventude. Algo assim.

Penso que a condenação vem em bom tom, bem como alguma represália da OAB.

***

Agora descobriu-se por que o apelido do ex-atacante do Internacional é "Pato": depois de um breve casamento frustrado com a atriz global Stephanie Brito, o mesmo foi condenado a pagar 20 % de seus ganhos atuais, bem como futuros em eventuais transferências, à atriz, a título de alimentos provisórios!

Vinte por cento por um casamento de um ano? Para uma mulher com capacidade de trabalho? Notem: não é para filhos, como sói acontecer. É para a ex-esposa, com a qual conviveu algo em torno de um ano e que não se tem notícia que a mesma tenha colaborado consistentemente para a melhoria de seus ganhos!

Absurda a decisão. Em tempos de igualdade entre os sexos, de independência do sexo feminino, valer-se do sucesso profissional do "ex" para levar uma vida confortável sem trabalho é algo sem comparativos no mundo real!

Falta vergonha na cara para a Stephanie Brito, sem falar na total alienação do juiz que concedeu tal pensionamento! Uma compensação financeira até que a atriz se recoloque no mercado até seria razoável, pois a mesma largou seu trabalho para acompanhar o jogador! Mas saquear vinte por cento dos rendimentos do atleta - que não são poucos, diga-se de passagem - é um absurdo inegável!

Alguém tem idéia de quanto é 20 % do salário do Pato? Além da participação numa futura venda do mesmo? Trabalhar pra quê?

Como diria meu pai: "o que eles não inventam para não precisar trabalhar!"

quarta-feira, 14 de julho de 2010

EXTRA! Justiça do Trabalho nega liminar ao SC Internacional

Falava eu na questão pretendida pelo Internacional, de ver inscritos os jogadores contratados para que pudessem enfrentar o São Paulo nas semifinais da Libertadores, e sobreveio no dia de hoje decisão do juiz da 20ª Vara do Trabalho de Porto Alegre negando a liminar pleiteada pelo Sindicato dos Jogadores do RS, como substituto processual dos jogadores gaúchos.

Por ser movida pelo sindicato local, ao contrário do que a mídia estava propalando, a eventual decisão favorável NÃO beneficiaria jogadores de outros Estados.

A meu ver, a decisão é perfeita. Em duas passagens, deixa bem claro o que já era inclusive meu pensamento:

No caso, é precisamente o que ocorre com os atletas substituídos processualmente, contratados pelo SC Internacional, que já se apresentaram ao novo clube, estão treinando e participando de jogos amistosos e cumprindo integralmente todos os seus deveres para com o novo empregador, bem como recebendo, em contraprestação, a remuneração pactuada e fazendo jus a todos os demais direitos trabalhistas e previdenciários advindos do contrato de trabalho.

Portanto, não se pode dizer, ao menos no caso dos autos, que o direito ao trabalho esteja cerceado pela imposição de período para registro do contrato de trabalho na CBF, na simples medida em que a existência, os efeitos, a vigência e, em última análise, o desenvolvimento e o cumprimento do contrato de trabalho ocorreram e ocorrem inobstante não haver a providência administrativa estabelecida pelas entidades nacionais e internacionais dirigentes da prática do futebol profissional.

(...)

situação bastante comum na prática desportiva profissional diz respeito ao atleta suspenso por motivo disciplinar ou transgressão a normas do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, editado através de mera resolução do Conselho Nacional do Esporte.

Também aqui não se cogita de cerceio ao direito de livre exercício do trabalho, não obstante as penalidades disciplinares, que incluem até mesmo o banimento da atividade esportiva profissional, estejam previstas em normas editadas por órgão (CNE) vinculado ao Poder Executivo.

Existem inúmeros outros exemplos que poderiam ser citados e que evidenciam que o direito fundamental de livre exercício de trabalho, ofício ou profissão não é absoluto e se subordina a limites estabelecidos na legislação infraconstitucional.

Ao que se noticia, o Sindicato vai tentar outras vias. Aguarde-se para saber se essa acertada decisão prevalecerá.

O frio, as escolhas

E chegou mesmo o frio - acordei às 7h10 da manhã com o despertador do celular, e o aparelho, dentro de suas funcionalidades, me informando a temperatura em Porto Alegre naquele horário: 3º C!, o que me lembra a história de uma colega advogada paulista que, a trabalho aqui no sul, foi acordada pelo serviço de quarto que informou temperatura semelhante. Ela pediu: "então me acorda quando chegar a 12º C!

Eu particularmente ("opinião pessoal minha", como dizem por aí) adoro inverno. Claro, adoro porque não sou velho (ops, da "melhor" (argh) idade); porque não sou morador de rua; e porque não penso como a maioria adora pensar - já não é de hoje minha mania de ser do contra!

Porque o bonitinho, o legalzinho, o bacana, é pensar junto com a galera. E a galera gosta de verão, praia, surf, férias, vagabundagem (gosto disso tudo, tirando o surfe). E não gosta de trabalhar, odeia segunda-feira, conta nos dedos para chegar as 18h da sexta, só está bom quando se está longe ou ao menos fora do trabalho. É isso: o "bacaninha" é não gostar de trabalhar, ou ao menos parecer que não gosta!

Assim como o inverno, que me permite me vestir decentemente sem que eu esteja pingando de suor antes mesmo de sair de casa, também gosto de trabalhar. Gosto mesmo. Aprecio meu tempo livre, diga-se de passagem, muito mais e aproveito muito melhor do que muitos que seguem o pensamento dominante. Mas curto estar no trabalho, me é prazeiroso o labor. Algo que é de berço, eu diria. Mas sem me descurar do lazer, das férias, muito embora que, quando muito longas, entedia-me.

O pensamento maniqueísta faz a gente ou gostar de trabalhar ou de vadiar. Ou de gostar de inverno ou de verão. Ou Senna ou Piquet. Ou Grêmio ou Inter, algo tipo a gênese do maniqueísmo no Rio Grande do Sul. Eu já penso que é possível, na maioria das vezes, gostar dos dois, e até mesmo no futebol, embora não tenha vontade nenhuma de gostar do Internacional. Pode-se gostar de duas coisas (ou mais) aparentemente opostas, mas preferir uma à outra. É o meu caso: prefiro o inverno, a noite, Piquet.

Em todo o caso, sempre o direito de livre escolha: é algo que venho ensinando à minha filha.

***

E por falar em ensinar filhos, vem a debate a proposta do Presidente para proibir o castigo físico às crianças e adolescentes. Vem de novo o pensamento maniqueísta, amplamente divulgado pela mídia: uma palmada evolui para um soco, que evolui para um chute e daí por diante. Não penso assim: os maus tratos já são disciplinados pela lei. É só mais do mesmo! Acredito na palmada pedagógica, e olha que fala quem apanhou forte muito na infância!

Não concordo com esse maniqueísmo de que toda palmada evolui para agressões mais fortes. Não vi o projeto de lei proposto pelo Presidente. Mas sempre me cheira ao tradicional exagero, numa questão de quase impossível fiscalização: vão denunciar um tapa da bunda?

***

E a imprensa esportiva está ávida pela "abertura da janela" para que o Internacional possa inscrever os jogadores contratados a tempo de enfrentarem o São Paulo na final da Libertadores. Fico imaginando se fosse o contrário, o São Paulo usando de políticagem ou liminares para reforçar seu time, a mídia estaria tendo chiliques e parindo dúzias de ninhadas de gatos.

Não é uma questão de paixão clubística, estaria falando o mesmo se o Grêmio fosse beneficiado: é uma questão de regras previamente estabelecidas. Se eram injustas por tolher o direito de trabalho dos jogadores, que se questionasse antes do início da competição. Mas a conveniência é que estabelece essas questões!

A imprensa gaúcha aligeira-se para afirmar que é uma medida que beneficia TODOS os clubes, inclusive o São Paulo. Ah, adoraria ver eles dizerem o mesmo se fosse o contrário!

sábado, 10 de julho de 2010

Prazeres gastronômicos

Depois de adiar por alguns anos a vontade de fazer algum curso gastronômico, neste julho finalmente voltei minha atenção para isso: estou assistindo a algumas aulas no Espaço Gourmet da Blue Ville (http://www.blueville.com.br/outras/cursosrs.asp) - aquela mesma do arroz!

Na quinta, 8, participei do curso "O risoto e seus segredos", ministrado pelo chef Zi Saldanha (http://www.chefzisaldanha.com.br/) - e descobri aquilo que eu já sabia e negava pra mim mesmo: eu não sabia fazer risoto!

Esqueçam o arroz com galinha, por mais que esta esteja desossada, sem pele, desfiada. Não é nada daquilo que nos acostumamos a chamar de risoto - embora a magia daquela galinhada de avó nunca acabe!

Minha vida não é mais a mesma desde quinta.

Na sexta, dia 9, as surpresas gastronômicas continuaram com o curso "A verdadeira Paella valenciana", com o chef Molina! Indescritível. Tanto que nem vou ousar descrever, ao menos por enquanto.

A imagem fala por si.

Seguirei neste julho com, pelo menos mais três cursos: "carnes e molhos em receitas romanas", "sobremesa com estilo" e "frutos do mar". Serei definitivamente outra pessoa em agosto, e aí tudo é possível.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Um pouco mais da deforma da lei

Embora eu não devesse, voltei a assistir a um episódio do irreal "Na forma da lei", exibido pela Rede Globo nas terças à noite (logo após o fraco e ultrapassado Casseta & Planeta).

A bobabem parece não ter fim, e a capacidade do roteirista e dos (péssimos) atores em cena também não. Numa cena de Tribunal, advogado, juiz e promotora encenam de forma tão ridícula que não há licença poética que explique!

Aliás, nesse "rumoroso" caso seguido pela promotora vivida pela Ana Paulinha Arósio parece não haver nenhum incidente de suspeição: os causídicos são amigos pessoais desde os tempos acadêmicos e trabalham sem nenhum tipo de constrangimento em processo nos quais estão envolvidos emocionalmente.

A cena em que a Arósio interroga réus - numa dramaticidade de novela mexicana copiada dos filmes de tribunal americanos - é hilária. Por igual, ninguém avisou o Antônio Calmon que não existe no sistema judiciário brasileiro a "plea bargin", que significa a possibilidade do réu, declarando-se culpado, ter sua pena reduzida. Isso vem direto e reto do sistema americano, mas quem se importa?

Fosse as mancadas jurídicas do roteiro o pior da série, menos mal. Ela em si é muito ruim, muito fraca. Os diálogos são extremamente forçados e óbvios. Os atores então, na sua maioria, é de fazer qualquer um chorar!

E ainda tem a cena em que o juiz e a promotora invadem a casa do advogado amigo que irá defender o réu: "Mas ele é um assassino", brada a Aninha Paula, como se algumas pessoas não fizessem jus a nenhum tipo de defesa! E claro, o advogado é o cara fraco, bunda-mole, cuja mulher gasta demais no cartão de crédito e ele precisa de dinheiro para pagar os caprichos da esposa! Nada mais machista!

O pior é ofender a inteligência do espectador: enquanto um processo por aqui leva ANOS para ser julgado, no seriado ele não leva mais do que algumas horas - tudo bem, aqui entra a tal licença poética, pois do contrário os personagens iriam estar velhos em poucos casos - sem falar naquela eterna impressão de que eles só trabalham NAQUELE processo.

Não sei se não seria o caso de uma OAB da vida se manifestar a esse respeito. Talvez fosse de bom tom uma nota, no início de cada episódio, dizendo que os casos são fictícios (tal qual no Lei & Ordem) e que as cenas "judiciárias" contém licenças poéticas! Confesso que me senti ofendido com a demonstração de advogados corruptos, mercenários e bunda-moles! Mas como não dá pra fazer novelas e seriados só com gente boazinha...

domingo, 4 de julho de 2010

O fim da Copa à espera de um novo técnico

Enfim, a Copa acabou. Na sexta. Sei que teve uns jogos depois, inclusive um surpreendente passeio da Alemanha sobre a Argentina. Mas isso parece que é uma outra competição. A Copa acabou na derrota para a Holanda, assim é no Brasil.

Por mim, como meus quatro leitores sabem bem, tanto faz. Melhor até, pois fica mais fácil de trabalhar, sem medo de marcar algo importante e depois ter que desmarcar porque a selecinha joga. Pra quem é "liberal", cada dia vale ouro!

A CBF anunciou a demissão do Dunga, que ainda fez um charme do tipo "eu disse que eram só quatro anos". Algo meio evidente: ganhasse, sairia por cima, feito Luiz Felipe e Carlos Alberto (o Parreira, para quem não lembra os dois primeiros nomes do cara). Que não cometa o erro deste segundo, que abusou da sorte e voltou, numa clara prova de que não sabia direito por que ganhou a primeira. Felipão eu não sei se ousará novamente, dá toda a mostra que sim.

Mas dos nomes ventilados (pela CBF ou pela imprensa, eu não sei, depois do epísódio Felipão no Internacional não dá pra duvidar da criatividade midiática), dois só podem ser piada: Leonardo (considerando que não seja o cantor sertanejo, o que seria uma piada ainda maior) e Ricardo Gomes. Este, porque não provou nada em sua curta carreira; aquele, porque foi uma invenção do Milan. Mas se há quatro anos inventaram Dunga, que nunca treinara nem time de futebol de mesa antes, por que ir-se-ia duvidar?

Restam, além do Felipão, que é um cara meio hour-concours da opinião pública, Mano Menezes e Muricy Ramalho. Mano eu acho ainda muito verde para a função, por mais que esteja no comando do Corinthians há mais de dois anos (há quem ache que treinar os paulistas ou o Flamengo é credencial suficiente). Evidente que Mano tirou muito de grupos fracos - Grêmio em 2005 e 2007, principalmente, e Corinthians em 2008 e 2009. É o líder do Brasileirão quase esquecido. Mas lembrem: na seleção não podemos partir do princípio que um treinador tirará leite de pedra - diz-se dos jogadores brasileiros verdadeiros diamantes raros!

Claro, tem a opção pelo modelo Dunga, recentemente falido: abre-se mão de boleiros em nome dos cabeças-de-bagre que fazem da seleção uma família. Mas seria temeroso insistir nesse paradigma.

De resto que sobra Muricy, tri-campeão brasileiro, honraria exclusiva a um treinador num único clube (o outro que foi três vezes seguidas campeão, Rubens Minelli, o fez por dois clubes distintos). Aliás, no passado já se cometeu a injustiça de não colocar Minelli ou Ênio Andrade no comando da seleção, em preferência a nomes como Cláudio Coutinho, o próprio Parreira, Carlos Alberto Silva e Evaristo Macedo, para ficar nos nomes que transitaram entre o final dos anos 1970 e a metade da década posterior.

Por isso que entendo que é a hora de Murici - se não for o Felipão, mas penso mesmo que aquele merece uma chance. Mano seria o azarão da lista.Gomes e Leonardo? Tá de sacanagem...

***

Anotação sobre a questão da tecnologia na arbitragem: a hipocrisia mais uma vez a serviço do futebol (ou o contrário). Ao mesmo tempo em que se alega que o "erro faz parte do jogo", pune-se o árbitro que erra. Pera lá!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Das liminares

É comum ouvir por aí coisas do tipo "ah, isso é só entrar com uma liminar (sic), que não dá nada". Para o homem médio, a "liminar" virou salvaguarda para todo o tipo de desvio da lei.

Apesar dos pesares, ouso dizer que não é bem assim. A começar, que não se entra com uma liminar. O que se faz, quando há perigo de lesão irreparável a direito ou com toda a aparência de tal, é interpor ação judicial com pedido de provimento liminar para que, até o julgamento do feito ou ao menos que se prove o contrário, certo direito ameaçado permaneça intacto.

É o que aconteceu no caso do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) que, atingido pela Lei da "Ficha Limpa", recorreu ao STF visando obter medida liminar que permitisse o registro de sua candidatura.

O que se lê e ouve pelas mídias e comentários ad lattero chega a dá impressão que o senador obteve o direito de se eleger automáticamente. Não é bem assim.

Ora, na medida em que a lei, na chamada "brecha", permite que liminares concedam efeitos suspensivos, conforme for o caso, e considerando que no caso do senador sua condenação, além de não ser definitiva, aguarda julgamento pelo próprio STF, no qual o relator dá provimento ao seu recurso - o revisor, ao que se conta, pediu vista, ou seja, um tempinho pra ver o processo com mais detalhes.

Noticia-se que choverá pedidos de provimento liminar para suspender os efeitos da ficha limpa. Algo mais ou menos previsto pelos legisladores (quem sabe alguns beneficiários de futuras liminares) para essa eleição. Um jeitinho brasileiro? Talvez.

Só não dá para confundir as coisas: nem as liminares são salvaguarda para direitos inexistentes (como advogado, sou obrigado a acreditar nisso, ao menos de forma geral), tampouco que a concessão da mesma implica em eleição automática: ainda passará pelo crivo popular (ai, eu sei) e, inobstante a cautela concedida, ao final ainda poderá ver sua demanda frustrada o que implicaria na perda do registro e do mandato eventualmente conquistado, prejudicando inclusive sua legenda que perderá os votos, modificando seu quociente eleitoral e, assim, criando o risco do partido ver suas cadeiras no parlamento diminuídas.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Vergonha mas nem tanto?

Segundo se noticia, hoje haverá audiência de conciliação na ação que a (ex?) estudante Geisy Arruda move em face da UNIBAN, decorrente do alegado dano moral sofrido no ano passado, quando foi assediada sexualmente e discriminada, em tese por causa de suas curtas vestes, que culminou com sua expulsão da Universidade, ato depois revogado pela própria Reitoria.

Na época, manifestei-me contrário à barbárie - e contra ela continuo posicionado - de toda uma população universitária humilhando uma estudante por esta se vestir de modo "inapropriado" para um ambiente de faculdade. Causou-me ainda mais espécie o ato da administração da Universidade que, de plano, a extirpou dos bancos acadêmicos, sem sequer ouvir a sua versão dos fatos.

Seneca dizia que quem julga sem ouvir a outra parte não pode ser considerado justo, ainda que decida com justiça.

Pois bem: evidentemente que a jovem ingressou em juízo contra seus algozes, em especial a Universidade. Por absoluto olho grande e em total dissonância com a jurisprudência do país, requereu indenização por danos extra-patrimoniais (conhecidos como danos morais) no valor de R$ 1 milhão.

Atualmente, nem em eventos que levam à morte da vítima os tribunais têm sido tão generosos assim. Mas, de qualquer forma, é um direito dela pretender, ainda não leve, de jeito nenhum, tamanha soma - mesmo que tenha alcançado repercussão nacional.

Trabalhei em um caso no qual minha cliente teve sua intimidade lesada em função de foto sua publicada na capa de Veja! Isso mesmo, com direito a outdoor. Tive o prazer de ter ao meu lado, na defesa dos interesses da cliente, meu querido e saudoso padrinho Paulo Peres. O julgador singular concedeu indenização equivalente a 200 salários-minimos, o que hoje não chega nem perto do que pretende Geisy. Claro, cada caso é um caso.

Todavia, há muito que se avaliar o "dano" sofrido por Geisy. A grosso modo, em primeira análise, é notório - inobstante a pretensão de ficar milionária com isso seja demasiada. Mas o que houve com essa moça APÓS o evento dito danoso? Até onde lembro, por acompanhar as notícias veiculadas nas mídias, Geisy tem frequentado as manchetes e não exatamente por resquícios do ocorrido: foi convidada para posar para a Playboy (não sei se aceitou, ou se posou para outra revista), andou desfilando em escolas de samba e, recentemente e por pura ironia do destino, lançou um livro no mesmo dia em que Saramago falecia (alguém por aí disse que foram duas notícias muito ruins para a literatura no mesmo dia).

Ou seja, ela tem desfrutado da notoriedade que ganhou em virtude do evento que, na análise pura, lhe era altamente danoso. Passou a ter status de celebridade, ainda que momentânea. Teria não fosse o ocorrido? E até que ponto sentiu-se ultrajada, na medida em que foi aproveitando as portas que lhe iam sendo abertas no caminho da purpurina e do brilho (ainda que falso esse brilhante)?

Penso que sua honra atingida encontrou diversos lenitivos no caminho, o que não exclui, todavia, a culpabilidade, sob o ponto de vista do direito civil, da Uniban. Só que daí para uma indenização milionária vai uma longuíssima distância!

Aqui no Rio Grande do Sul os juizados especiais cíveis (famosos pequenas causas) têm dado indenizações em torno de R$ 5 mil para danos morais, em geral. Digamos que, tendo se beneficiado e locupletado com o evento, esse valor estaria muito bem pago!

Apenas continuo achando que, tivesse sido tão lesivo assim para Geisy os fatos ocorridos no ano passado, ela teria se recolhido ao silêncio, pois é o que a vergonha nos causa. Mas...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Acordando cedo

Acordei cedo hoje, muito cedo realmente: eram 5h30 quando desisti da idéia de permanecer dormindo. Acontece, feito cair da cama. Não tenho grandes problemas nisso.

A maioria das pessoas - leia-se a média delas - não gosta de acordar cedo, quiçá não gosta nem de acordar! E fazem desse evento um problema em suas vidas. Não sei se sou Pollyanna demais, não não consigo ver isso como algo ruim. Eu realmente gosto de acordar cedo, embora nem sempre o faça. Penso que muitos não gostam da vida que levam, aliado, é claro, pelo prazer indiscutível que é dormir.

E aí entra o conceito de "acordar cedo". Sem dúvida que 5h30 da manhã é deveras cedo. Sim, sei que há quem acorde antes disso, e cada um com sua idiossincrasia! Mas é uma definição relativa. Para uns, levantar às 7h da manhã pode ser tarde, pode ser cedo.

Cresci acordando impreterivelmente às 6h45 (em primeira chamada, 6h50 em segunda chamada e aos berros às 6h55). Não tinha moleza nesse quesito, chegar atrasado ao colégio (ou simplesmente não ir) era algo impensável lá em casa - como há de ser na maioria dos lares. Nunca tive o hábito de tomar café pela manhã, o que todavia tenho feito nos últimos tempos. De modo que pouco antes das 7h45, quando começavam as aulas, já estava eu defronte ao colégio comentando os eventos do dia anterior - invariavelmente, os jogos de futebol (profissional e os da escola).

Minha filha acorda cedo também: não passa de 7h20. O que varia é o humor da pequena, tem pra todos os gostos. Mas também vai dormir cedo, 21h está na cama e dorme mesmo! E percebo que as pessoas se impressionam quando descobrem que ela acorda cedo: parece que a média das crianças vai dormir muito tarde e acorda igualmente. Mas mesmo para Helena, seu horário é relativamente tarde: como não há horário fixo na escola, o tempo não importa tanto nessa questão. Por esse ano, somente: ano que vem ela entra no primeiro ano e aí nos rigorismos e compromissos de sala de aula. Bem se diz que a vida acaba aos seis anos.

E para terminar o assunto, o aterrador: adoro acordar cedo no domingo, pode? Dizem que é pra ter mais tempo de não fazer nada. Mas realmente, tenho esse gosto especial (e inusitado?). Evidente, quarenta anos, mulher e filha em casa. Aos vinte, solteiro e sem filhos, não era bem assim.

Tudo tem a sua hora, inclusive para acordar.

sábado, 26 de junho de 2010

Os prazeres culinários

O cardápio de hoje, um sábado chuvoso, é carreteiro de javali com lentilhas, acompanhados de couve-flor refogada (era para ser na manteiga, mas esqueci de comprar). Evidentemente (e evidentemente apenas para quem me conhece), quem fará tudo isso sou eu. A cozinha, aqui em casa, é território meu. Já a área de serviço...

Sou de uma geração que era a mãe que ia pra cozinha e o pai que se esbaldava à mesa, depois ia dormir enquanto que a esposa dava conta da louça. Quase todos meus amigos em torno da minha idade viveram esse cenário. Eu vivi em parte pois, em geral, aos domingos era meu pai que assumia o fogão (mas não a pia!).

Cresci vendo ele fazer pratos elaborados no fim-de-semana: mocotó, feijoada, pastelão no forno, lasanhas, dentre outras aventuras culinárias - isso quando não rolava o famoso churrasquinho - de meu tempo de MUITO piá, ele e meu vô materno, em volta da churrasqueira, apreciando cervejas geladas e com aquele papo de adulto, eu em volta dando uma de garçon ("não corre com a garrafa na mão", "segura embaixo", eram os gritos que vinham do fundo do terreno enquanto eu zeloso atravessava o pátio).

Diante disso tudo, tornou-se imperioso que eu me dedicasse às lides gastronômicas. Mas não foi automático, foi bastante gradual: aprendi a fazer molho de cachorro quente aos 13 anos. Arroz, por necessidade (e é algo que ainda hoje tenho minhas dificuldades de acertar o ponto). Morando sozinho aumentei minha lista de preparos, mas nada muito sofisticado: isso é algo que venho adquirindo nos últimos anos.

Tenho comprado livros, assistido a programas de tevê e pensado seriamente em fazer cursos. Só preciso, todavia, aprender a controlar a compulsão de comer, afinal não preciso provar TUDO o que faço. Tá, vão dizer que faço o rango e depois quase não como: errado. Como tal qual estivesse à mesa esperando a iguaria!

Mas isso é outro capítulo, é papo pro meu endocrinologista - que ainda não tenho, mas vou arranjar um. Enquanto isso, vou encerrando o papo porque tenho que ver se minha lentilha vai bem, obrigado!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Na forma da lei?

A Globo se lança no seriado jurídico-policial, livremente inspirada por Law & Order (a abertura é uma cópia declarada), com o péssimo "Na forma da lei", cuja primeira temporada terá oito episódios e (ai) pode ficar na grade fixa da emissora.

Basicamente, um grupo de ex-estudantes de direito se reecontra para formar uma espécie de "força-tarefa", com o objetivo de colocar atrás das grades o sociopatinha sem sal vivido por Márcio Garcia. Lideram o grupo as globais Ana Paula Arósio (no papel de uma promotora que tem medo de bandido!) e Luana Piovani (uma determinada delegada federal que chega na linha de tiro brandindo a insígnia e gritando "polícia federaaaaal"), ainda formado por um juiz todo certinho, um advogado idealista e um jornalista investigativo. Faltou alguém? Tanto faz.

Dei-me ao trabalho de assistir aos dois primeiros episódios. No primeiro eu ainda estava grogue pelos excessos cometidos durante o jogo da selecinha (tá, não torço, mas curto a festa e, principalmente, a cerveja); já no segundo, exibido na noite da última sexta-feira, foi de doer.

Há muitos anos não assisto os programas da Globo. Praticamente desde 1995, quando passei a ter acesso a tevê paga. Mas este, como é afeito à minha área, me chamou a atenção. Primeiro, para ver o quanto eles copiariam os (bons) enlatados do gênero. Basicamente nada, a não ser a abertura, que é idêntica à "Law & Order". O resto são os chavões do Brasil: político corrupto, sistema corrupto, mas um grupo de jovens idealistas (ahahahahahaha). Não se faz o certo com discursos prontos, mas as pessoas parecem acreditar que sim.

Segundo, justamente para ver as legítimas cagadas jurídicas cometidas no seriado. Por enquanto não vi muita coisa: uma promotora que fala "forum" e "tribunal" como se fossem sinônimos; juíz recebendo em seu suntuoso gabinete promotor e advogado para discutir a admissibilidade de determinada prova, cada um apresentando seus argumentos oralmente! Sei lá, vai que lá no Rio a justiça funciona assim. E, ao que parece, a promotora tem gabinete no Foro! Será que o MP não tem sede própria lá?

Também vi a lindinha Ana Paula Arósio vomitando: "Sou a promotora fulana de tal e este sujeito está me importunando" (em referência ao péssimo Márcio Garcia), tendo que se apresentar aos seguranças do Forum (ou Tribunal, nem ela sabe dizer direito)! Depois disso, uma chorosa promotora "ele vai me matar"! É, Aninha, tu precisa trocar de profissão!

Também plasticamente bonitinha, a Piovani, delegada federal, me chega na linha de tiro brandindo sua insígnia e gritando "polícia federaaaal". Nenhum delegado de verdade é burro pra fazer isso, pois vai ser crivado de balas ainda na primeira sílaba. Mas claro, a Globo não vai deixar a lindinha se machucar.

Ainda devo insistir um ou dois episódios, não mais do que isso. Talvez a Globo me contrate como consultor! Nunca mais a Arósio vai se confundir entre o Foro e o Tribunal!

Mas, por enquanto, nada mais fora da lei e do bom senso!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Falação

Nada a declarar: hoje não vou falar (ou escrever) sobre Copa do Mundo.

As notícias da manhã, ouvindo rádio desde as 6h40 (sim, acordei cedo, creia): travesti (mais ainda) tresloucado fere com seringa enfermeira e outras pessoas em hospital de Brasília. A seringa conteria sange do próprio transexual que é portador do HIV; ator Werner Schunnemman dorme na direção e cai no Arroio Dilúvio, nossa miniatura do Tietê; PTB desiste de concorrer ao Piratini. São essas, dentre outras, as notícias que pululam o radiojornalismo de hora em hora.

Minha filha chama de "falação" o rádio em AM (leia-se Gaúcha). Antes era "notícia chata"! Gosta mesmo é de seu CD de músicas ("as preferidas de Helena", que já está no volume três). Não, não tem Xuxa. Sim, tem Balão Mágico (mas a clássica). Além de Shania Twain (suspiro), ABBA, Legião Urbana, Los Hermanos, Lenka, Almôndegas, Kid Abelha, dentre outros. É evidente a minha influência nesse processo. Só imagina quantas vezes ela pede esses CD's no carro: ajustamos que segunda, quarta e sexta é dia de música, o que ela avisa antes mesmo de embarcar: "pai, hoje é dia de música"! Não deixa passar!

Pronto: não falei da Copinha, nem da Selecinha, muito menos do semi-analfabeto do Dunga (que, ao contrário do Lula, assim como muitos brasileiros sequer tem curso técnico)! Quer dizer, acabei falando, mas sem falar.

Muita "falação", diria a Helena!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A mão e o apito

Lá vamos nós, em mais uma da série "escrevendo obviedades".


Luís Fabiano não usou uma, mas sim DUAS mãos para fazer o segundo gol contra Costa do Marfim. Tudo bem que não foi o gol salvador aos 46 do segundo tempo, feito Henry nas Eliminatórias contra a Irlanda. Tudo bem que não foi o último toque numa quartas-de-final como Maradona em 1986. Mas até agora muito poucos brasileiros (os patriotas) admitiram que o uso das mãos tirou toda a beleza plástica do gol!

Dunga e os analistas de futebol vociferam contra a violência dos "elefantes" no jogo! Reclamam pela "injusta" expulsão do Kaká (é impressionante como, para a imprensa, tudo o que esse rapaz faz é belo e puro, afinal casou virgem). Mas não reclamam da manifesta complacência do juiz do lance do "fabuloso" (ah, esses apelidos) - imagem registrou o árbitro em sorrisos comentando com o Luis Fabiano algo como "eu vi que foi com a mão, mas deixa estar". Aí tudo bem.

Queria ver fosse contra o Brasil!

Por isso concordo com o que o L. Potter, descomprometido de seriedade na sua coluna na contra-capa do caderno da copa em ZH, disse sobre: o Brasil é o Corinthians das seleções! Provavelmente a mais favorecida pela arbitragem na história das Copas!

Desconsiderando, claro, toda a choradeira na aldeia em relação ao clube mais popular do país: olvidam os erros que favoreceram cá nós (leia-se os gaúchos)!

Enfim: sigo sem inspiração para escrever mesmo que seja sobre a Copa! A histeria coletiva continua, pelo menos até 11 de julho. Depois disso, vejamos se resta alguma sanidade!

sábado, 19 de junho de 2010

A Copa do Mundo e o patriotismo

O tema é recorrente. Em tempos de Copa do Mundo, o patriotismo vira sentimento de exacerbação e obrigatoriedade pelas ruas do país. A ínfima resistência detectada (na qual me encontro) é duramente criticada, com a pergunta falaciosa: "não és brasileiro?".

Sou brasileiro, filho de brasileiros e neto de metade brasileiros e metade ucranianos. Daí pra cima a mistusta fica maior ainda. Mas nasci em Pindorama, vivo aqui, falo português, gasto em reais, gosto daqui. Sou obrigado a torcer pela seleção brasileira de futebol profissional masculino? Não sei.

Quando invocam o patriotismo, então, a discussão se torna mais profunda. É com espanto que as pessoas constatam que não torço pelo selecionado de Dunga (e não só de Dunga, é uma convicção confirmada pelos últimos 25 anos)! Mas ora, bolas, e o patriotismo?, é o que me indagam.

Vejo carros com bandeirinhas do Brasil desfilando na rua. São patriotas. Passam no sinal vermelho, avançam sobre os pedestres na faixa de segurança, falam ao celular, não usam o cinto de segurança, trocam de pista sem dar sinal, andam na Freeway a 140 Km/h. Ou seja, são patriotas, mas não respeitam a lei do país!

Não aguentam mais os políticos corruptos, por isso nem votam mais: ou anulam seu direito de escolha ou justificam que estavam em trânsito. Procuram dar um jeitinho pra conseguir o documento aquele, aproveitando que tem um tio que trabalha na repartição. Furam filas, não observam a preferência a idosos, portadores de deficiência física, gestantes ou pessoas com crianças no colo. Sim, são patriotas, mas não respeitam a lei do país e adeptos do "jeitinho brasileiro": quer coisa mais patriota que isso?

Criticam a miséria no país mas nada fazem para ajudar uma ONG (séria). Não dooam cestas básicas. Não fazem ações sociais, não dão roupas na campanha do agasalho, não cuidam do meio-ambiente. Evidente, são patriotas, mas não preservam seus próprios direitos difusos!

É um patriotismo do futebol, evidente. Por isso que nem mais respondo. Ser patriota assim é muito fácil. Ô, se é!

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Em tempo: MUITAS pessoas fazem tudo isso que eu citei, dentre outras coisas mais. Só que, apesar de MUITAS, ainda são POUCAS num universo de 200 milhões. Ainda são exceção. De forma geral, e toda generalização é perigosa, a coisa acontece assim! Patriota, mas usando a calçada do posto pra burlar o sinal de trânsito!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Defensoria x EPTC

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul ingressou com Ação Civil Pública contra a EPTC, questionando a legitimidade dessa empresa em autuar e multar no trânsito de Porto Alegre.

A coisa não é nova: em Belo Horizonte ação idêntica foi proposta e, ao que parece, até o STJ se pronunciou sobre a questão: essas empresas privadas, apesar de investidas pelo serviço público, terão que devolver os valores aplicados a título de multas de trânsito.

No caso da EPTC, desde sua criação, em 1998.

O Poder Público, por sua vez, precisa pensar num plano B, sob pena da guerra do trânsito ficar sujeita à impunibilidade: já está ruim com os azuizinhos, imagina sem eles?

Não que eu seja contra a iniciativa da Defensoria: sou a favor. As coisas tem que ser feitas dentro da legalidade! E nada mais ilegal do que uma empresa privada - travestida de "pública" - faturando em cima do que deveria ser o Poder de Polícia do Estado!

Mas isso são digressões afeitas ao direito administrativo - o que é uma bela discussão teórica.´

Só que não vou também para o lado da paranóia da indústria de multas - coisa que deixo para os sant'annas da vida! Ah, se houvesse a tal indústria! Duas horinhas ali na Sertório seria o suficiente para fazer a féria do dia! Não é por aí!

Louvável a iniciativa de nossa Defensoria - agora devidamente valorizada com os salários subvencionados! O Poder Público que não se cale: se a EPTC só pode fiscalizar, que digam quem pode autuar e multar! Virar a casa do badanha é o que trânsito não pode - mais do que já é!

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