quarta-feira, 14 de julho de 2010

O frio, as escolhas

E chegou mesmo o frio - acordei às 7h10 da manhã com o despertador do celular, e o aparelho, dentro de suas funcionalidades, me informando a temperatura em Porto Alegre naquele horário: 3º C!, o que me lembra a história de uma colega advogada paulista que, a trabalho aqui no sul, foi acordada pelo serviço de quarto que informou temperatura semelhante. Ela pediu: "então me acorda quando chegar a 12º C!

Eu particularmente ("opinião pessoal minha", como dizem por aí) adoro inverno. Claro, adoro porque não sou velho (ops, da "melhor" (argh) idade); porque não sou morador de rua; e porque não penso como a maioria adora pensar - já não é de hoje minha mania de ser do contra!

Porque o bonitinho, o legalzinho, o bacana, é pensar junto com a galera. E a galera gosta de verão, praia, surf, férias, vagabundagem (gosto disso tudo, tirando o surfe). E não gosta de trabalhar, odeia segunda-feira, conta nos dedos para chegar as 18h da sexta, só está bom quando se está longe ou ao menos fora do trabalho. É isso: o "bacaninha" é não gostar de trabalhar, ou ao menos parecer que não gosta!

Assim como o inverno, que me permite me vestir decentemente sem que eu esteja pingando de suor antes mesmo de sair de casa, também gosto de trabalhar. Gosto mesmo. Aprecio meu tempo livre, diga-se de passagem, muito mais e aproveito muito melhor do que muitos que seguem o pensamento dominante. Mas curto estar no trabalho, me é prazeiroso o labor. Algo que é de berço, eu diria. Mas sem me descurar do lazer, das férias, muito embora que, quando muito longas, entedia-me.

O pensamento maniqueísta faz a gente ou gostar de trabalhar ou de vadiar. Ou de gostar de inverno ou de verão. Ou Senna ou Piquet. Ou Grêmio ou Inter, algo tipo a gênese do maniqueísmo no Rio Grande do Sul. Eu já penso que é possível, na maioria das vezes, gostar dos dois, e até mesmo no futebol, embora não tenha vontade nenhuma de gostar do Internacional. Pode-se gostar de duas coisas (ou mais) aparentemente opostas, mas preferir uma à outra. É o meu caso: prefiro o inverno, a noite, Piquet.

Em todo o caso, sempre o direito de livre escolha: é algo que venho ensinando à minha filha.

***

E por falar em ensinar filhos, vem a debate a proposta do Presidente para proibir o castigo físico às crianças e adolescentes. Vem de novo o pensamento maniqueísta, amplamente divulgado pela mídia: uma palmada evolui para um soco, que evolui para um chute e daí por diante. Não penso assim: os maus tratos já são disciplinados pela lei. É só mais do mesmo! Acredito na palmada pedagógica, e olha que fala quem apanhou forte muito na infância!

Não concordo com esse maniqueísmo de que toda palmada evolui para agressões mais fortes. Não vi o projeto de lei proposto pelo Presidente. Mas sempre me cheira ao tradicional exagero, numa questão de quase impossível fiscalização: vão denunciar um tapa da bunda?

***

E a imprensa esportiva está ávida pela "abertura da janela" para que o Internacional possa inscrever os jogadores contratados a tempo de enfrentarem o São Paulo na final da Libertadores. Fico imaginando se fosse o contrário, o São Paulo usando de políticagem ou liminares para reforçar seu time, a mídia estaria tendo chiliques e parindo dúzias de ninhadas de gatos.

Não é uma questão de paixão clubística, estaria falando o mesmo se o Grêmio fosse beneficiado: é uma questão de regras previamente estabelecidas. Se eram injustas por tolher o direito de trabalho dos jogadores, que se questionasse antes do início da competição. Mas a conveniência é que estabelece essas questões!

A imprensa gaúcha aligeira-se para afirmar que é uma medida que beneficia TODOS os clubes, inclusive o São Paulo. Ah, adoraria ver eles dizerem o mesmo se fosse o contrário!

Um comentário:

blog da Paraguassu disse...

Ah! o frio faz dar aquela vontadezinha de ficar debaixo das cobertas. Mas como, se o dever nos chama? Nosso horário de levantar no inverno é o mesmo do verão aqui em casa. E por falar nessa idéia de bater forte ou não nas crianças a fim de educá-las, lembremos dos velhos tempos em que isso era normal, tanto nos lares como nas escolas. Será que voltaremos no tempo? Aquilo nunca foi educar e sim atemorizar para se obter obediência. É, a nosso ver, um retrocesso.
Bjs. a todos, Tasso e Maria.

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