terça-feira, 3 de novembro de 2009

De volta...

Após quatro dias de recesso junto à orla, estou de volta. Estamos, mesmo que nem todos tenham se permitido esse retiro proposto pelo feriado dos mortos!

E quando penso que temos um feriado para reverenciar aqueles que partiram e nos deixaram saudades, penso também que muitas vezes celebramos mais a morte do que a própria vida - embora, verdade seja dita, haja feriados mais para esta do que para aquela.

Mas quantos artistas, políticos e outras celebridades tiveram muito mais reconhecimento na morte do que em vida? Quantos, feito Van Gogh, só tiveram reconhecimento póstumo? Diz-se, por exemplo, que muitos compositores clássicos só tiveram a real dimensão de seu valor após a morte, embora que, à época, sua grande maioria  teve o reconhecimento possível à época. A grandiosidade só veio depois.

Certa vez li interessante artigo sobre a vida e obra de Saliéri, retratado como algoz de Mozart no filme de Milos Forman, de 1985. Saliéri, na visão de Forman, invejava Mozart pelo seu talento incomum. No entanto, segundo alguns estudiosos, seria Mozart que teria todos os motivos para invejar Saliéri, já que este que era o compositor da Corte Austríaca, cargo ambicionado por dez dentre dez compositores à época.

O talento de Saliéri, no entanto, ficou obscurecido pelo inigualável de Mozart. Assim como tantos outros artistas que, por motivos mais diversos, vivem à sombra da fama: nem todos querem mesmo ser famosos.

Não sei se deixarei para as futuras gerações algo digno desse sucesso estrondoso que marcam as celebridades póstumas, só sei que em minha lápide constará poesia de Álvares de Azevedo (em "Lembranças de Morrer"):

"Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida".

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