Passei por esses dias a provação de acompanhar o périplo de meu pai no hospital: desde uma aparente simples internação para extirpar a vesícula, passando pela baixa na UTI decorrente de uma arritmia cardíaca, suspeita de infecção, um rim que desistiu de funcionar, uma nova cirurgia, diálise, e agora uma lenta recuperação.
Aos 70 anos, ele ressurge das cinzas, feito Phoenix. Não por acaso, todos esses dias me mantive em silêncio por aqui. Por aqui, por ali, em diversos espaços e momentos. Tem horas mesmo que o silêncio é o único remédio ou, ao menos, o mais disponível.
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Em dois dias, duas pessoas com 83 anos partiram: Matheus Schmidt, em nível local, e Armando Nogueira, em nível nacional. Ambos deixam suas trajetórias, cada um em seu ramo. Contribuíram de forma inequívoca para a história recente de nossa cidade, de nosso estado, de nosso país - momento tri ufanista!
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Ainda ontem eu estava conduzindo meu veículo automotor quando após uma curva me deparei com um catador de papel ocupando quase toda a pista em que eu me encontrava. Felizmente, consegui desviar a tempo. Pensei: "que perigo, se atropelo só me incomodo, já ele não tem nada a perder". Alguns nanossegundos se passaram e outro pensamento tomou conta de mim: "E quem disse que a vida dele vale menos que a minha?".
Algo pra se pensar muito.
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Grêmio bem, Inter mal. A necessidade da gangorra.
Que os resultados não enganem!
terça-feira, 30 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Transcrevendo
O tempo, o momento, não consigo pensar, nem transpiro. Deliro. Só transcrevo:
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Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre.
(Renato Russo: Esperando por Mim)
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Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem os nossos dias serão para sempre.
(Renato Russo: Esperando por Mim)
sábado, 13 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Tem mas tá em falta
Ainda estou por aqui - numa fase de pouca entrega para a literatura.
Espero me recuperar logo.
Espero me recuperar logo.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Mocinhos e bandido
A síntese do pensamento maniqueísta pode ser vista na figura do mocinho e do bandido. Costuma ser assim na vida, e nas histórias que a vida nos conta: há que ter o mocinho, há que ter o bandido - sempre estereótipos irreais, tais como os consagrados pelas novelas globais há quarenta anos!
No já famoso caso do Bolão de Novo Hamburgo (dizem os colorados que em Novo Hamburgo de fato se joga um bolão!), a mídia ávida por notícas que vendam jornal e seus patrocinadores já elencou mocinhos e bandidos na história.
Evidente, são mocinhos os apostadores - os do bolão e qualquer outro, vítimas do azar de ter sorte! De outro, os vilões: o dono da lotérica, a funcionária que não fez o jogo, talvez a Caixa!
De cara saíram falando em estelionato, sem que qualquer coisa tivesse sido apurada. Vitimado também o empresário porque a fúria midiática estampou-lhe o carimbo de criminoso!
Ao mesmo tempo, os apostadores, mocinhos vitimados pela aparente desídia de outrem, já são relatados pelos meios de comunicação como "vivendo um drama"!
Menos, muito menos: suas vidas continuam intactas, não foram amealhadas de seus bens, privadas de seu sossego, de sua libertade. Apenas tiveram frustrada uma expectativa, mas que está muito longe de ser um "drama". Há de ser um desconforto incomparável, aquela sensação do que não foi mas poderia ter sido...
Mas "drama"? Se inocente ou culpado (adoram essa classificação maniqueísta), o proprietário da lotérica sim que vive um drama: não pode sair de casa, sofre ameaças por telefone, já foi estigmatizado pela mídia. Ele é que teve o grande impacto na sua vida!
Nesse momento, todos esquecem o lado humano: querem o dinheiro - o que, a rigor, é um direito que se impõe. Mas e a paz de espírito do pivô disso tudo?
Mas há sempre que ter mocinhos e bandidos!
No já famoso caso do Bolão de Novo Hamburgo (dizem os colorados que em Novo Hamburgo de fato se joga um bolão!), a mídia ávida por notícas que vendam jornal e seus patrocinadores já elencou mocinhos e bandidos na história.
Evidente, são mocinhos os apostadores - os do bolão e qualquer outro, vítimas do azar de ter sorte! De outro, os vilões: o dono da lotérica, a funcionária que não fez o jogo, talvez a Caixa!
De cara saíram falando em estelionato, sem que qualquer coisa tivesse sido apurada. Vitimado também o empresário porque a fúria midiática estampou-lhe o carimbo de criminoso!
Ao mesmo tempo, os apostadores, mocinhos vitimados pela aparente desídia de outrem, já são relatados pelos meios de comunicação como "vivendo um drama"!
Menos, muito menos: suas vidas continuam intactas, não foram amealhadas de seus bens, privadas de seu sossego, de sua libertade. Apenas tiveram frustrada uma expectativa, mas que está muito longe de ser um "drama". Há de ser um desconforto incomparável, aquela sensação do que não foi mas poderia ter sido...
Mas "drama"? Se inocente ou culpado (adoram essa classificação maniqueísta), o proprietário da lotérica sim que vive um drama: não pode sair de casa, sofre ameaças por telefone, já foi estigmatizado pela mídia. Ele é que teve o grande impacto na sua vida!
Nesse momento, todos esquecem o lado humano: querem o dinheiro - o que, a rigor, é um direito que se impõe. Mas e a paz de espírito do pivô disso tudo?
Mas há sempre que ter mocinhos e bandidos!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Os espiões de Veríssimo
Comprei na sexta-feira, levei para o fim-de-semana na praia e pá-pum, tava lido. Trata-se de "Os Espiões", novo romance (ou seria novela?) de Luis Fernando Veríssimo.
Com a habitual ironia de observação, o fino trato no humor, Veríssimo discorre sobre a vida de um editor literário, afogado no álcool e no desprezo de sua mulher e filho, restando apenas o silêncio complacente de Black, seu cachorro, que muda de rumo quando recebe os originais de pretenso romance de uma misteriosa mulher do interior, residente na fictícia Frondosa.
Exercitando sua técnica de investigação e suspense, Veríssimo transita por seus personagens atípicos, notadamente estigmatizados por nuances da vida: a descrição dos frequentadores do bar, ambiente tão bem descrito e recorrente na obrad o escritor, é perfeita, ainda mais para quem, como eu, é habitué de butecos.
Os tipos se repetem, com várias variáveis.
Devo anotar que a história me lembrou, com as devidas particularidades de uma e de outra, "Os voluntários", de Scliar, precisamente no fato de um grupo de butequeiros se reunirem em torno de uma causa comum.
Não tão genial quanto o "Clube dos Anjos", lançado pela Editora Objetiva dentro da Série "Plenos Pecados", mas no ritmo de "Borges e os Orangotangos Eternos", a leitura é rápida, fácil e sempre deliciosa! Vale a pena!
Com a habitual ironia de observação, o fino trato no humor, Veríssimo discorre sobre a vida de um editor literário, afogado no álcool e no desprezo de sua mulher e filho, restando apenas o silêncio complacente de Black, seu cachorro, que muda de rumo quando recebe os originais de pretenso romance de uma misteriosa mulher do interior, residente na fictícia Frondosa.
Exercitando sua técnica de investigação e suspense, Veríssimo transita por seus personagens atípicos, notadamente estigmatizados por nuances da vida: a descrição dos frequentadores do bar, ambiente tão bem descrito e recorrente na obrad o escritor, é perfeita, ainda mais para quem, como eu, é habitué de butecos.
Os tipos se repetem, com várias variáveis.
Devo anotar que a história me lembrou, com as devidas particularidades de uma e de outra, "Os voluntários", de Scliar, precisamente no fato de um grupo de butequeiros se reunirem em torno de uma causa comum.
Não tão genial quanto o "Clube dos Anjos", lançado pela Editora Objetiva dentro da Série "Plenos Pecados", mas no ritmo de "Borges e os Orangotangos Eternos", a leitura é rápida, fácil e sempre deliciosa! Vale a pena!
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Para toda a vida II
A noite era um mistério quando eu amava e sequer sabia que existia. Perdido no meio de bares, eu sabia que tudo aquilo não me pertencia. Sempre pertenci aos teus braços, pois somente neles me encontraria. Eu sabia, estava escrito: um dia nos encontraríanos, contaríamos histórias, riríamos, choraríamos e acharíamos um absurdo o tempo todo em que não sabíamos da nossa existência!
Um poema, que escrevi lá por 1993, quando comecei a namorar Raquel. Pois já se vão quase 17 anos e aqui estamos, para toda a vida - Helena é o elo definitivo.
Haja o que houver, como tem havido as coisas que passam entre e em nossas vidas.
Assim, pelo teu aniversário que hoje se comemora, se lembra, se relembra: o será por toda a nossa vida.
Te amo, Raquel.
Um poema, que escrevi lá por 1993, quando comecei a namorar Raquel. Pois já se vão quase 17 anos e aqui estamos, para toda a vida - Helena é o elo definitivo.
Haja o que houver, como tem havido as coisas que passam entre e em nossas vidas.
Assim, pelo teu aniversário que hoje se comemora, se lembra, se relembra: o será por toda a nossa vida.
Te amo, Raquel.
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