sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Me deixa falar

Tudo bem, eu sei que a língua culta manda que o título desta crônica seja "Deixa-me falar", mas esqueçamos o preciosismo: muitas vezes o português "inculto" é mais impactante que o outro.

Nasci com uma necessidade orgânica de me manifestar, de me fazer ser visto, ouvido. Há quem diga que isso é querer aparecer, e não se pode descartar totalmente essa hipótese: uma necessidade vital de dizer a que veio.

E aí eu fico por aqui e por ali, procurando espaços, muitas vezes titubeante, como se tateasse no escuro de olhos fechados. Vou encontrando lugares, nichos, momentos, e vou deixando minhas marcas, nem sempre da melhor maneira possível, tampouco em algumas delas sou lembrado por aspectos que possa me orgulhar.

Lembro que gostava muito de ler os textos dos livros didáticos em sala de aula. Chegava a fingir desinteresse pela leitura de outros para que o professor, pensando que eu não estava prestando atenção, me chamasse para ler! Era o primeiro a ir para a frente da sala ler o que havia escrito nos exercícios de Português - mesmo com minha voz horrenda de adolescente.

Cresci, a voz se torno grave, poderia ser locutor, não fui, não sou, quem sabe serei um dia? Não sei. Sigo escrevendo aqui e acolá para deixar minhas impressões gravadas. Vivesse nos tempos das cavernas, e eu seria o piteco da vida que desenhava nas paredes escrevendo as histórias de uma era.

Sempre gostei de escrever para a coluna de cartas de jornais. Em Ijuí cheguei a contribuir, eventualmente, com artigos para um jornal local. Demorei muito para engrenar no blog, todavia. Talvez por falta de leitores, mas algumas pessoas garantem que me lêem! Uma das vantagens de se ter pai, mãe, irmã...

Não vivi a época da ditadura como adulto, ela apenas povoou minhas impressões da infância dos anos 1970 (vamos combinar que nos anos 1980 a ditadura era muito cor-de-rosa, ainda bem), mas se tivesse vivido com a goela que tenho hoje, certamente teria sido preso, exilado. O sangue político ao menos corre nas veias, algo que guardo com bastante carinho.

Por enquanto vou falando, falando, falando. Se eu fosse italiano e estivesse no mar, atravessava o oceano "parlando, parlando, parlando".

***

Ótimo o aviso do LFV na Zero Hora de hoje: não tenho, nunca tive e nunca terei twitter. Nem sei direito o que é twitter!

Compartilho, apesar de "ter" o tal tuíter. Mas minha inteligência não alcançou essa forma de comunicação - cento e quarenta caracteres é muito pouco para que insiste em não se calar!

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